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Claude Troigros começou a carreira engatinhando na cozinha

  O título deste texto não é uma expressão linguística, mas uma afirmação literal. Quem contou foi o próprio chef Claude Troisgros, em sua palestra na Expogestão 2019: “Nasci e…

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O título deste texto não é uma expressão linguística, mas uma afirmação literal. Quem contou foi o próprio chef Claude Troisgros, em sua palestra na Expogestão 2019: “Nasci e fui criado no andar de cima do restaurante dos meus avós, e a cozinha era meu campo de brincadeira”. Esse é o resumo do início da carreira do aclamado chef, dono de restaurantes no Rio de Janeiro e apresentador de programas de culinária na TV. Há 40 anos no Brasil, Troisgros uniu a tradição familiar ao empreendedorismo e contou, como ele mesmo admite, com um tanto de sorte.

A tradição familiar começou com os avós paternos, Jean-Baptiste Troisgros e Marie Badaut. Com um pequeno restaurante ao lado da estação ferroviária de Rouen, eles implantaram o conceito do “serviço à francesa”. A segunda geração, dos filhos Pierre e Jean, participou da criação da “nouvelle cuisine” francesa. Enquanto isso, uma italiana chamada Anna Forte mudou-se para a França após a Segunda Guerra. Sua filha Olympe se casou com Pierre Troigros, desta união nascendo Claude. “Chegamos a ser onze cozinheiros na família”, relembra o chef.

Um dia, Pierre Troigros perguntou aos filhos se alguém toparia passar um tempo trabalhando no Brasil. Respondendo “sim”, em 1979 Claude desembarcou no Rio de Janeiro, onde comandou o restaurante do Rio Palace Hotel por dois anos. “Nosso foco era a cozinha internacional, uma mistura das culinárias francesa, italiana e portuguesa”, recorda.

Encerrado o contrato com o hotel, Claude optou pelo voo próprio. E teve sua primeira lição como gestor. Ele conta: “Sem um centavo no bolso, pedi dinheiro ao meu pai, para iniciar o negócio. Graças ao ‘não’ dele, fui obrigado a me virar. Consegui capital suficiente para abrir um modesto restaurante no Leblon, aplicando os conhecimentos aprendidos em casa e no Rio Palace. Como havia conhecido novos produtos, frutas e legumes tropicais, eu os envolvi na cozinha francesa. E ainda hoje viajo muito pelo Brasil, indo de moto aos mais distantes rincões, sempre conhecendo mais e agregando outras matérias primas”.

Na época do primeiro restaurante, Claude admite ter tido sorte. “Um dia apareceram por lá dois diretores da Globo, Boni e Armando Nogueira. Comeram, gostaram e recomendaram. A partir de então, todo dia tinha fila. Por isso afirmo: se a sorte passar, agarre e trabalhe mais, pois o sucesso vem”. Como o sucesso veio, Claude Troigros foi abrindo novos restaurantes. Seu primeiro funcionário, o paraibano Batista, tornou-se sócio e o filho também entrou no negócio.

No período de 1992 a 1997 Claude trabalhou em Nova York, deixando o sócio e o filho no comando das casas cariocas. Lá conheceu a TV Food Network, uma rede dedicada à culinária. De volta ao Brasil, novo golpe de sorte: apareceu no seu restaurante Marluce Dias da Silva, sucessora de Boni na direção geral da Globo. Lembra Claude: “Comentei com ela sobre a falta de programas de gastronomia na TV brasileira, comparando com os Estados Unidos. Ela me perguntou se queria fazer um programa. E lá fui para a Globo, apresentar um programete de três minutos. Depois, já no canal GNT, participei do ‘Menu Confiança’, até estrear meu próprio programa, ‘Que Marravilha!’, há 15 anos no ar”. Agora, Claude Troigros prepara mais uma atração, prevista para estrear em outubro na Globo.

Nestes 40 anos de Brasil, Troigros aprendeu a gostar e a acreditar no país. “Aqui consolidei minha carreira, repensei meus conceitos de gastronomia, abrindo a mente para uma culinária mais próxima do consumidor.” Aclamado e estrelado, Claude Troisgros já abriu e fechou restaurantes, demonstrou capacidade nos negócios, teve sorte e continua evoluindo.