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Magalu quer ser sistema operacional do varejo

Presidente prepara a empresa para forte crescimento a partir do negócio de terceiros e prevê um segundo semestre positivo depois das dificuldades causadas pela pandemia

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O pior momento da economia em 2020 já é passado, segundo o presidente da Magalu, maior rede de varejo eletroeletrônico do país, com R$ 30 bilhões em vendas totais, cerca de mil lojas e 35 mil funcionários. Em live do Valor Econômico realizada no final de agosto, Frederico Trajano disse estar otimista com o segundo semestre do ano, graças a manutenção do auxílio emergencial – ou corona voucher – que beneficia não só o seu segmento de negócios, mais o varejo como um todo.

Para 2021, a perspectiva é de maior dificuldade econômica, mas Trajano acredita que para quem já adaptou seu negócio ao comércio digital a tendência é de crescimento. “O e-commerce veio para ficar. Durante a pandemia, os países saíram muito mais digitais do que entraram. No Brasil, passamos de 5% para 10% nas vendas online, mas este número pode crescer para 30% a 35%, que é a taxa da China, o país mais digital do mundo. No Magalu, a participação do e-commerce nas vendas já era de 53% antes da pandemia e chegou a mais de 70% quando as lojas estavam fechadas.

Empresa sexagenária que se transformou de analógica em digital, o Magalu se prepara agora para ser o ecossistema digital que vai digitalizar o comércio brasileiro. Para isto, realiza a aquisição de negócios diferentes, que contribuem para o objetivo de tornar-se o sistema operacional do varejo brasileiro.

O presidente do Magalu lembra que, na China e nos Estados Unidos, quem fez o processo de digitalização do comércio foram os empreendedores de cada um destes países.  “Não existe inclusão social e crescimento econômico sem inclusão digital e sem digitalização dos negócios. Não é uma opção, é uma realidade. E nós queremos ser protagonistas neste processo”, diz, explicando que o atual modelo de negócios é muito mais tecnológico do que no passado

Este movimento, de acordo com Trajano, deve envolver especialmente o pequeno e médio comércio – que representam a força da economia brasileira. “Lançamos o Parceiro Magalu, plataforma completa para este público. Nós vamos ajudar o pequeno e médio a crescer e se digitalizar. Vamos crescer muito mais a partir do negócio de terceiros. Financeiramente a gente ganha com isso, mas o importante para o Magalu é crescer o negócio como um todo –  temos isto como um propósito”, afirma.

Além da digitalização do comércio, Trajano vê outro efeito da pandemia no mundo dos negócios: a visão mais ampla do que deve ser uma empresa. As questões relacionadas a meio ambiente, social, governança e integridade – pauta muito forte no mundo inteiro – começaram a ganhar espaço no mercado brasileiro. ”Com grande poder, vem grandes responsabilidades. As empresas precisam ter preocupações maiores do que gerar lucro para o acionista”, afirma.

 

Fonte: Live Valor Econômico conduzida pela jornalista Adriana Mattos, repórter de Consumo e Varejo do jornal.