Voltar 27 de Outubro de 2020
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A solidão do poder e a complexidade na tomada de decisão

O professor, palestrante e sócio coordenador do Renaissance Executive Forums para Santa Catarina Célio Luiz Valcanaia, tratou na Expogestão 2020 de um assunto que passa despercebido pela maioria. A solidão do poder. Ao falar sobre o tema, apontou que a saída desta bolha passa pela possibilidade de contar com diferentes pontos de vista sobre suas grandes questões – o chamado Fórum de Executivos.

Valcanaia começou destacando a complexidade que é tomar decisões. Pegou o exemplo simples de pedir uma pizza. “Se eu pedir uma pizza pra mim, é fácil escolher o sabor. Agora, se for pedir para a família, precisa fazer uma reunião com todos para ver o que cada um quer e, ainda assim, corre-se o risco de que alguém não fique satisfeito”, argumentou. Agora imagina o presidente de uma companhia. Como pedir pizza para seus milhares de funcionários, fornecedores, clientes, governos?

A tomada de decisão é o principal papel de um executivo. Infelizmente um número grande de decisões são tomadas de forma errada e não alcançam os objetivos que deveriam alcançar. Toda a decisão é baseada na premissa de que tem mais de uma opção. Além disso, cada tomada de decisão tem atrelada uma perda. Por exemplo, se eu decido ir para o norte, não vou poder ir para o sul.

Quando a gente olha para o processo, a tomada de decisão parece relativamente simples, com cinco passos básicos: 1 – definir o problema, 2 – levantar opções, 3 – gerar alternativas, 4 – escolher a melhor e 5 – implementar a decisão. Valcanaia explicou, então, que o primeiro passo é o mais importante. Tem a pressão do tempo, que implica em agilidade para a resolução do problema e também a disponibilidade do tempo de outras pessoas envolvidas. Depois, vem a questão da análise dos dados, que implica em buscar informações internas e, principalmente, os externas, normalmente difíceis de conseguir e de interpretar de forma correta. E isso precisa ser feito no primeiro passo. Se for mal feito, desencadeia problemas para a sequência. Vão faltar opções, as alternativas estarão incompletas, as escolhas não serão baseadas em um cenário real e o resultado não será o melhor.

As organizações criaram estruturas para apoiar o processo decisório da alta direção. Uma delas é a governança corporativa. Os conselhos corporativos, de acionistas, fiscal, comitês entre outros são fundamentais para auxiliar os processos decisórios. A governança corporativa ganha ainda mais importância no momento em que é fundamental para que todos os interesses sejam respeitados na tomada de decisão. Além disso, dá o suporte para que o resultado seja o melhor possível.

Mesmo com essa estrutura de apoio, por que tantas decisões são erradas? Valcanaia argumentou que quando um presidente tem que tomar uma decisão complexa, difícil, essa acaba sendo um processo solitário. Não solitário no sentido de estar sozinho, mas de se sentir sozinho. Como, então, uma pessoa decide? O processo de decisão não é apenas racional. Ela tem uma carga de subjetividade, pois o decisor é influenciado, mesmo indiretamente, por experiências, educação, interesses e modelos mentais, formados por uma série de fatores desde a infância.

Diante desse cenário, para minimizar os efeitos da tomada de decisão baseada apenas em modelos mentais pré-estabelecidos, é importante que o executivo receba visões diferentes.

E aí, novamente, entra em cena as estruturas de apoio com laços fortes e que tenham interesse no negócio como os conselhos, consultores, diretoria etc. Mas nem sempre as pessoas que têm maior envolvimento com a empresa sejam a melhor influência, pois elas podem estar colocando seus interesses acima dos da companhia, a chamada “agenda oculta”. Valcanaia fez questão de esclarecer que isso não significa que a governança corporativa é ruim para a empresa. Ao contrário. Ela é extremamente positiva. Mas a influência por interesses pode acontecer.

Outro grupo que exerce influência no poder de decisão é o que o palestrante chamou de “laços fracos”. Eles não têm interesse direto na corporação, mas estão na mesma posição. Por exemplo, um presidente tem uma decisão para tomar. Ele participa de um grupo com outros CEOs, pessoas que ocupam o mesmo cargo que ele, que têm experiência, talvez até já tenham vivenciado situações semelhantes. Eles, no momento em que ouvirem o problema daquele presidente, vão questionar, opinar com uma visão diferenciada daquelas dos que têm interesse. Valcanaia disse que esses grupos são os chamados fórum de executivos, prática já adotada por diversas empresas ao redor do mundo. Normalmente quando um presidente apresenta o problema ao grupo de laços fortes, esse ajuda a escolher uma das opções apresentadas por ele. Já quando esse mesmo processo é realizado num fórum de executivos eles acabam tendo um senso crítico mais apurado e trazem novas opções. Essa visão diferente abre o leque de opções para o CEO tomar sua decisão.


Autor

ExpoGestão

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