Ir para o conteúdo Pular para o menu principal

Como reinventar as cidades a partir de ações inovadoras?

  Pensamento em longo prazo, cooperação entre entidades e governos, criatividade para buscar vocações diferenciadas. Esses foram os principais pontos levantados pelos palestrantes do 3º Seminário Cidades que se Reinventam,…

0

 

Pensamento em longo prazo, cooperação entre entidades e governos, criatividade para buscar vocações diferenciadas. Esses foram os principais pontos levantados pelos palestrantes do 3º Seminário Cidades que se Reinventam, realizado nesta terça-feira, 14 de maio, durante a Expogestão 2019. O evento reuniu representantes do poder público e de empresas privadas, engajados a repensar os municípios a partir da inovação.

Santiago Ospina Franco, diretor de Comunicação e Marketing da Ruta N, apresentou a experiência que fez Medellín, na Colômbia, sair do ranking de cidade mais violenta para mais criativa do mundo. Com uma geografia parecida com a do Brasil, o município viu crescer a criminalidade a partir da atuação do narcotráfico e o estabelecimento de “comunas” em cima dos morros — o que aqui conhecemos como favelas.

Para mudar a situação foram pensadas ações para trazer serviços básicos aos moradores que, aos poucos, viram o entorno se transformar a partir de obras que, além de trazer transporte e acesso à água, por exemplo, também se converteram em espaços públicos com ações de cultura e lazer. “Em uma união entre empresas privadas, Estado e universidades, conseguimos transformar nossa situação nos baseando em pilares de segurança, inclusão social, inteligência colaborativa, inovação aberta, economia do conhecimento, pensando não só em um plano de governo, mas de cidade”, destacou.

Hoje, Medellín conta com distritos criados a partir de suas respectivas vocações, envolvendo ecossistemas voltados para promover a integração entre as empresas e a sociedade civil. No distrito de inovação, já são 270 empresas de 31 países diferentes. No ano passado, Medellín criou o Primeiro Centro para a Quarta Revolução Industrial da América Latina, onde serão planejadas ações em inteligência artificial, internet das coisas e blockchain.

Em Buenos Aires, na Argentina, também foram criados distritos econômicos que, além de promover empregos e negócios, modificaram as comunidades do entorno. Alejandro Castañé, sócio-diretor da Garimpo de Soluções, demonstrou alguns exemplos que impactaram o modo de se fazer negócios na cidade. Assim como em Medellín, nos distritos argentinos estão reunidas empresas, universidades e a própria comunidade, que ajudam a pensar nas alterações, sugerindo melhorias e propostas inovadoras.

Além de um lugar de trabalho, os distritos se caracterizam como lugares para viver, estudar, trabalhar e se divertir. Um dos distritos foi construído em um antigo parque abandonado. Ouvindo a população, a equipe transformou o espaço público, trazendo serviços à comunidade, gerando negócios e movimentando a economia. “Focamos no pensamento em longo prazo, pensando a cidade nos próximos 50 anos. Nosso desafio é fazer com que os talentos fiquem no país, vejam que temos um potencial gigantesco de crescimento”, ressaltou.

Essas propostas passam pela necessidade de adequação da sociedade às mudanças trazidas pela transformação digital. Ana Carla Fonseca, sócia-diretora da Garimpo de Soluções, trouxe exemplos internacionais para demonstrar como pequenas iniciativas podem ter grande impacto, quando focam no engajamento e no desenvolvimento de talentos locais. “Precisamos pensar na integração das cadeias de valor para melhorar os processos, perceber os pontos fracos e melhorá-los a partir de um pensamento conjunto”, enfatizou.

Um dos cases demonstrados foi o aplicativo uSound, desenvolvido por estudantes de administração no projeto de conclusão de curso, no norte da Argentina. A partir da história de um colega que desistiu da faculdade porque era surdo, eles criaram um aplicativo que faz testes de audiometria e automaticamente faz a adequação dos sons para que o deficiente auditivo consiga escutar.

Todas essas iniciativas também dependem dos incentivos financeiros e de linhas de créditos específicas. JonnyZulauf, presidente da Facisc, falou sobre a criação da Sociedade Garantidora de Crédito, que conta com entidades e cooperativas engajadas a liberar verbas para ações nos municípios do Norte e Planalto Norte de Santa Catarina.

Já André Ligori, representante nacional do Sebrae, apresentou uma plataforma que tem por objetivo aproximar líderes locais, promovendo a qualificação e a construção de planos de desenvolvimento para os municípios. Os planos pensam as cidades em 5, 10 e 20 anos e serão apresentados à sociedade quando finalizados. O 3º Seminário Cidades que se Reinventam ainda contou com um debate entre os palestrantes e contribuições do público.