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Desafios para o Brasil e motivos para o País dar certo, na visão da Maílson da Nóbrega

Economista, ex-ministro da Fazenda, autor, colunista e profundo conhecedor dos contextos mundial e doméstico, Maílson da Nóbrega é uma fonte da informação obrigatória quando se tem a missão de projetar cenários para tomada de decisão.
Foi isto que mais de 100 empresários, presidentes, CEOs e CFOs de organizações catarinenses fizeram no Seminário Executivo Economia, Finanças e Negócios em uma agenda exclusiva para convidados durante a ExpoGestão 2023.
Em sua apresentação, Maílson compartilhou três pontos de atenção que classificou como desafios que o Brasil precisa enfrentar e administrar para não se transformarem em riscos. E apresentou também motivos para empreendedores acreditarem e trabalharem para o País dar certo.

DESAFIOS
O primeiro desafio é de natureza internacional. Na análise de Maílson, o mundo tende a crescer menos por causa das mudanças nas cadeias globais de suprimentos. Se antes, a tendência era produzir fora, agora há diferentes canais: produzir perto, produzir em nações amigas ou produzir dentro do país, por exemplo. “Este cenário não é nada desastroso, mas impacta na economia, sim. E precisamos estar preparados para isto”, alertou.
O segundo desafio é a baixa produtividade nacional. “Hoje, apenas o agronegócio é exemplo de alta produtividade entre todos os setores da economia brasileira”, observou. Maílson recomendou cuidado na estratégia de substituição de importações, lembrando que sem inovação e sem competitividade a economia acaba estagnando. “Precisamos avançar na qualidade da educação. Este é o ponto crucial para resolver o desafio da produtividade no Brasil”, afirmou.
O terceiro desafio é a questão fiscal. “Este é o nosso calcanhar de Aquiles. O sistema fiscal tem uma rigidez com gastos em cinco áreas: Previdência, Funcionalismo, Saúde, Educação e Custos Sociais. Sem resolver esta rigidez, o problema pode atingir níveis insustentáveis”, alertou. Maílson demonstrou otimismo em relação ao processo de Reforma Tributária, “que pode colocar o Brasil entre os melhores sistemas de tributação de consumo o planeta”.

CONFIANÇA
Maílson destaca a solidez da democracia brasileira como um dos principais fatores de confiança para o mercado. “Nossa democracia está consolidada há mais de 30 anos, contamos com instituições sólidas e um Banco Central independente”, destacou. O Brasil aprendeu, na análise do economista, a superar crises graças a pilares como Judiciário independente, capacidade de investigação autônoma da corrupção, imprensa livre, disciplina de mercado e voto universal.
O ex-ministro também apontou destaques no campo econômico como motivo de confiança no futuro. “Temos empresas de classe mundial. E temos um grande parâmetro, que é o agronegócio, que vem protagonizando uma revolução com agricultura tropical de alto desenvolvimento, com tecnologia para produzir mais na mesma área”, acrescentou.
“Analisando o cenário global, os desafios e as perspectivas, posso afirmar: não dá para desistir do Brasil”, concluiu o economista.