
O desempenho recente da economia brasileira vem contrariando previsões pessimistas que dominaram o debate nos últimos anos. Em meio a incertezas fiscais e a um cenário internacional ainda volátil, o País assiste à bolsa de valores bater recordes históricos enquanto o dólar recua e se estabiliza em patamares mais baixos. O movimento reforça a percepção de resiliência dos ativos brasileiros e reacende o interesse de investidores locais e estrangeiros.
O Ibovespa superou a marca dos 178 mil pontos, renovando máximas sucessivas tanto no fechamento quanto no intradia. Ao mesmo tempo, o dólar opera em torno de R$ 5,28, sustentado por um ambiente externo menos hostil aos mercados emergentes e por expectativas de flexibilização monetária à frente. Esse comportamento sinaliza uma combinação rara de confiança no mercado acionário e menor pressão cambial.
Analistas apontam que o principal motor dessa valorização tem sido o aumento do fluxo estrangeiro. Com os Estados Unidos enfrentando desafios políticos e econômicos, parte do capital global busca alternativas em mercados considerados descontados e com potencial de retorno. A perspectiva de juros mais baixos no médio prazo e uma inflação mais comportada reforçam o apetite por risco e sustentam a entrada de recursos na renda variável brasileira.
Mesmo com uma expansão econômica moderada, as projeções de crescimento para 2026 , entre 1,5% e 2% do PIB , têm sido suficientes para sustentar uma leitura construtiva sobre o País. Relatórios de bancos e casas de investimento destacam que, apesar da forte alta recente, o mercado brasileiro ainda negocia abaixo das médias históricas de valuation, abrindo espaço para novas valorizações caso o cenário macroeconômico siga favorável.
No câmbio e na política monetária, o Banco Central mantém a Selic em 15% ao ano, em um contexto de inflação sob controle. Essa combinação tem fortalecido tanto o mercado de renda fixa quanto a atratividade da bolsa, criando um ambiente de maior equilíbrio entre risco e retorno. Ainda assim, especialistas alertam que a atenção à política fiscal e à trajetória da dívida pública segue sendo essencial para a manutenção da confiança.
A leitura predominante entre estrategistas é de otimismo cauteloso. Não se trata de euforia, mas de um movimento sustentado por fundamentos mais sólidos do que em ciclos anteriores. Com bolsa em níveis recordes, dólar controlado e capital estrangeiro em alta, o Brasil desmonta parte dos prognósticos mais sombrios e reafirma sua capacidade de adaptação.
O desafio agora é preservar esse equilíbrio para transformar o atual momento favorável em crescimento consistente e duradouro.
FONTE: Brazil Economy