
A economia brasileira chega a 2026 pressionada por uma combinação complexa de fatores internos e externos. Estímulos fiscais, ano eleitoral e o avanço acelerado das tecnologias financeiras formam o pano de fundo de um cenário que afeta diretamente o custo de vida, o crédito e as decisões estratégicas de empresas e famílias. Mais do que um único evento, o desempenho do País será definido pela interação entre juros, política fiscal, inflação, câmbio e inovação.
No centro dessa engrenagem está a taxa Selic, principal instrumento do Banco Central para o controle da inflação. Após um período prolongado de juros elevados, próximos de 15%, o mercado trabalha com a expectativa de um ciclo de cortes ao longo de 2026, levando a Selic para uma faixa entre 11,25% e 12,75% ao fim do ano. Esse movimento, no entanto, não acontece de forma isolada: depende diretamente das decisões do Federal Reserve. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos segue como o principal motor do fluxo de capitais e da cotação do dólar.
A política fiscal adiciona uma camada extra de incerteza ao cenário. Ano eleitoral, 2026 testa historicamente a disciplina das contas públicas. Medidas como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda, programas sociais e estímulos ao crédito sustentam o consumo, mas acendem alertas sobre o equilíbrio fiscal. O mercado acompanha de perto o cumprimento do arcabouço fiscal e antecipa maior volatilidade no câmbio, especialmente no terceiro trimestre, quando o debate eleitoral ganha tração.
No campo dos preços, a inflação segue em trajetória de desaceleração, após ter permanecido dentro do teto da meta em 2025. O desafio agora é conduzir o IPCA em direção ao centro da meta de 3%, em um ambiente de consumo aquecido. A dinâmica inflacionária será influenciada pela demanda interna, pela estabilidade da oferta global, sobretudo de insumos importados, e pelas oscilações cambiais, que impactam combustíveis e alimentos. Isso exige uma política monetária cautelosa, evitando tanto o aperto excessivo quanto um relaxamento prematuro.
Paralelamente, a economia passa por uma transformação estrutural impulsionada pela tecnologia. A inteligência artificial avança como vetor de produtividade no agronegócio, na indústria e nos serviços, enquanto o sistema financeiro incorpora soluções baseadas em blockchain. Stablecoins e a tokenização de ativos ganham espaço como instrumentos para liquidações internacionais, diversificação patrimonial e proteção cambial, tornando o acesso a ativos dolarizados mais ágil e descentralizado.
No cenário externo, o comportamento do dólar global e os riscos geopolíticos seguem no radar. Um eventual “pouso suave” da economia americana tende a enfraquecer o dólar, favorecendo moedas emergentes. Ainda assim, choques externos e episódios de aversão ao risco podem provocar saídas de capital.
A projeção central aponta para um crescimento moderado do PIB, entre 1,7% e 2%, inflação controlada, porém acima da meta, e um dólar orbitando os R$ 5,50, com períodos de forte volatilidade entre julho e outubro.
Para empresas e investidores, a estratégia passa, cada vez mais, por proteção, diversificação e gestão ativa do risco.
Fonte: Forbes Brasil