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Por que a Economia Laranja é importante para o mercado criativo

A Economia Laranja, ou Economia Criativa, demonstrou expressivo crescimento em seu nível de emprego no 3º trimestre de 2022, se comparado ao mesmo período de 2021, com um crescimento de 9%, com a criação de cerca de 616 mil postos de trabalho. Os dados são do Observatório Cultural Itaú, que aponta que os trabalhadores de apoio foram responsáveis por cerca de 413.652 mil novos postos de trabalho, crescimento de 67% do total.

Segundo um estudo da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, o setor superou o desempenho geral da economia brasileira em quase todos os anos deste século e passou a representar 2,9% do PIB em 2020, movimentando um total de R$ 217,4 bilhões. Em 2017, representava 2,6%. Em 2004, 2,1%.

O termo, Economia Laranja, surgiu quando o autor especializado nesta economia John Howkins publicou The Creative Economy: How People Make Money from Ideas, em 2001 — a primeira vez que o conceito foi mencionado em um livro. A cor e o nome estão relacionados à criatividade, à habilidade, à cultura e à inovação.

Como exemplos de economia criativa podem ser citados a Netflix, que promoveu uma nova forma de consumir filmes e séries; Uber, com um novo jeito de se locomover; Ifood, que otimizou o delivery de comida; e Spotify, que revolucionou a indústria da música.

Dados apresentados na reportagem “Economia Laranja: uma nova cor para a sustentabilidade”, da Revista RI – Relações com Investidores, mostram que o mercado global de bens criativos se expandiu substancialmente, mais do que dobrando de US$ 208 bilhões em 2002 para US$ 509 bilhões em 2015. Nos último dez anos, o setor tem sido um motor-chave do crescimento econômico, com níveis de avanço variando de país para país. Não fosse pelo baque sofrido em função da pandemia, as previsões seriam melhores, ainda assim, a estimativa é de que a economia criativa alcance um valor global de US$ 985 bilhões até 2023, o que representaria cerca de 10% do PIB global.

A Revista traz os três princípios dessa nova economia apontados por John Howkins em seu livro “The creative Economy”, e outros que o Banco Interamericano de Desenvolvimento trouxe em seu Manual da Economia Laranja.

Princípio 1 – todo mundo nasce com imaginação e criatividade, elas não são características especiais;
Princípio 2 – o contexto social no qual as pessoas têm ideias é o que define a ecologia criativa, um sistema em que o foco está em como as ideias circulam na sociedade e como podem ser feitos negócios a partir delas;
Princípio 3 – criatividade requer liberdade para pensar, se expressar, explorar, descobrir, questionar;
Princípio 4 – liberdade precisa ter acesso ao mercado;
Princípio 5 – nem toda criatividade se converterá em produtos ou serviços e isso não é um problema, mas aqui importa o que é comercialmente viável;
Princípio 6 – economia criativa não é sinônimo de economia da cultura;
Princípio 7 – “criativa” ou “laranja” não é a economia e, sim, as pessoas que a compõem.

A reportagem destaca a ampla gama das chamadas indústrias criativas, que incluem, dentre outras, a indústria da música, museus, publicidade e propaganda, cinema, design, jogos, arquitetura, moda, editorial, mídia e software. A publicação cita a indústria da publicidade e marketing viabilizando subsetores tais quais agências de publicidade, relações públicas e atividades de comunicação. Outros exemplos estão relacionados às marcas mais valiosas do mundo, todas ligadas à economia laranja e baseadas em diferentes categorias de intangíveis, como a Apple, Google e Microsoft, baseadas em ciência e tecnologia, e a Luis Vuitton ou Disney, nas quais as narrativas construídas se baseiam nas artes e na cultura para atribuir valor aos seus produtos e serviços.

Segundo Alexandre Sette Abrantes Fioravante, autor do texto, a economia laranja vem apresentando uma tendência de crescimento rápido, com o comércio de bens e serviços criativos crescendo a uma taxa que supera a de outras indústrias mais tradicionais.