
Em 15 de janeiro, o neurocientista Jared Horvath declarou no Senado americano que “nossos filhos são cognitivamente menos capazes do que nós éramos na idade deles”. A frase, dita em tom contundente, rapidamente ganhou as redes sociais e acabou sendo ampliada para interpretações mais alarmistas, como a de que a Geração Z seria a primeira menos inteligente que a anterior.
O debate, no entanto, é mais complexo. Os senadores discutiam os impactos da tecnologia no desenvolvimento cognitivo e no bem-estar de crianças e adolescentes. Horvath critica o uso indiscriminado de tecnologia nas escolas, mas ele próprio ressalta que isso não deve ser confundido com menor inteligência.
A tecnologia pode, sim, ampliar nossa capacidade de pensar — desde que utilizada de forma consciente e com finalidade educativa. Por isso, faz sentido defender que o uso de telas nas escolas seja restrito a atividades acadêmicas, sempre com orientação de professores. O desafio maior está fora do ambiente escolar, onde crianças e adolescentes costumam navegar sem supervisão adequada.
Medidas recentes em países como Austrália e França, que restringem o acesso de menores às redes sociais, mostram que o tema exige respostas equilibradas. No Brasil, o ECA Digital (Atualização do Estatuto da Criança e do Adolescente para proteger menores no ambiente digital) entra em vigor em março com propostas semelhantes.
Rotular uma geração como menos inteligente simplifica excessivamente uma discussão que precisa de racionalidade. Os impactos do ambiente digital são reais e preocupantes, mas enfrentá-los exige análise responsável — e não sentenças definitivas.
Fonte: Estadão, 16/02/2026Parte superior do formulário


