
Por trás desse otimismo digital, existe uma pergunta crucial: estamos ficando mais fortes ou apenas mais rápidos?
A Inteligência Artificial deixou de ser uma promessa para se tornar um imperativo de sobrevivência. No entanto, por trás da sensação de “velocidade total” nos corredores corporativos, esconde-se uma armadilha silenciosa: a atrofia intelectual.
Sol Rashidi, a primeira “Chief AI Officer” do mundo, levanta um questionamento que merece atenção: as pessoas estão trocando a capacidade de longo prazo pela conveniência de curto prazo? Quando a IA pensa por você e, em vez de com você, cria-se uma dependência perigosa. O valor humano não está na execução mecânica, mas no discernimento que precede a ferramenta.
A pessoa começa a usar a IA para economizar tempo. Depois, esquece como fazia antes, até que não consegue mais fazer sem a ferramenta e a competência se perde.
Realidade dos números
A aceleração sem intenção gera retrabalho. Estatísticas do Gartner e do MIT revelam um cenário preocupante:
- 74% a 88% das iniciativas de IA travam na fase de Prova de Conceito (POC).
- Dos 12% que chegam à produção, quase a totalidade precisa recomeçar do zero em pouco tempo.
O motivo? De acordo com Sol, raramente é falha do modelo, mas a falta de maturidade de dados. Há uma corrida para implementar a IA sem antes garantir uma infraestrutura que suporte o uso em escala.
Antes de iniciar qualquer caso de uso, a gestão deve auditar seus ativos:
- Temos os dados certos para suportar a decisão?
- Eles estão acessíveis e limpos?
- Existe governança sobre esses dados?
- Estamos fortalecendo o pensamento crítico da equipe ou apenas automatizando processos falhos?
A velocidade importa, mas a aceleração sem direção leva ao destino errado mais rápido. Vencerão a corrida não as empresas mais automatizadas, mas aquelas que usam a IA para amplificar o que as torna insubstituíveis: o julgamento humano e a criatividade estratégica.
Fonte: Sol Rashidi – LinkedIn


