Um funcionário capacitado, com boas referências, é promovido para uma área de gerência. A ascensão é uma conquista, mas pode [...]

Voltar 20 de Outubro de 2021
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Ascensão é um processo de adaptação na arena política corporativa

Um funcionário capacitado, com boas referências, é promovido para uma área de gerência. A ascensão é uma conquista, mas pode se tornar uma tormenta, caso esse profissional, que está iniciando uma mudança na natureza do seu trabalho, não se moldar às novas exigências da função.

Nessa nova etapa, o cenário e as relações mudam, assim como as exigências. Estar preparado para isso, sem causar traumas que possam prejudicar uma carreira, é uma lição que o especialista em liderança, Joel Dutra, apresentou durante a palestra “O líder na arena política corporativa”.

Durante a explanação, ocorrida nesta quarta-feira (20/10) na ExpoGestão 2021, o diretor da Growth Desenvolvimento de Pessoas e Organizações, recordou que as pessoas raramente mudam de trajetória profissional, porque isso implica em alteração da identidade profissional. Essa mudança gera um estresse e um desgaste emocional grande.

Dutra explicou que geralmente a pessoa renuncia a identidade profissional anterior ao assumir novo desafio. Isso não é fácil. Segundo ele, às vezes se perde uma referência até consolidar a nova identidade. Isso causa angústia. E quando o profissional começa a consolidar essa nova identidade, percebe que não tem todos os conhecimentos para desempenhar as funções. Assim, é natural que a pessoa se sinta incompetente, a autoestima caia, e pode haver sinais de depressão neste momento.

“Quando um profissional técnico, de vendas, ou supervisor operacional o assume uma função gerencial, ele muda a natureza do seu trabalho. O que caracteriza o gerente não é o fato de liderar pessoas. O que implica a ele é o fato de estar na arena política da organização. Ou seja, ele vai estar disputando recursos escassos, orçamento, espaço físico, massa salarial. São outras negociações”, detalhou.

Ao assumir uma função de gerência tática, o funcionário dedica 70% do seu tempo na discussão de tomada de decisões junto à organização, além da liderança da sua equipe. Ele fica afastado das tarefas técnicas que estava acostumado anteriormente. É um aprendizado novo que a pessoa tem que desenvolver.

“A arena política da organização é invisível para a maioria. As pessoas que estão numa atividade técnica ou de vendas geralmente não conseguem perceber isso. Só quando assumem as funções de gestão. E normalmente essa transição para a posição gerencial gera um choque, porque a pessoa começa a se deparar comum ambiente totalmente novo”, disse.

Algumas características desta transição é que o profissional tem que ter clareza que vai precisar abrir mão do que gostava de fazer para assumir uma função gerencial que vai exigir outras habilidades. Alguns acabam relutando em assumir esses cargos ou, quando assumem, ficam acumulando os processos operacionais que estava realizando antes, prejudicando a execução do novo trabalho.

“Tem que haver um processo de aculturamento para entender essa construção de um novo papel. É um processo de adaptação difícil. Muitas organizações buscam estruturar esse processo. Os fracassos nas funções gerenciais são de pessoas que não conseguiram aceitar ou se desenvolver na arena política da organização. É importante a empresa perceber as pessoas que estão no ponto de maturidade para fazer essa transição e ocupar esses cargos com mais facilidade”, alertou o especialista.

Dutra citou alguns aspectos importantes para visualizar pessoas com potencial para cargos gerenciais. Um é a capacidade de desenvolver a empatia, se colocar no lugar do colega. O outro é a flexibilidade, o jogo de cintura para entender as demandas internas de setores diferentes.

A arena política é pouco estudada dentro das organizações. Esse ambiente é importante em qualquer organização e não deve ser visto como nocivo, mas necessário para as estratégias da companhia.

Conforme o palestrante, neste cenário é importante ter astúcia social para a construção do bem comum, que é perceber a necessidade do outro e conseguir desenvolver projetos de forma mais agregada. Além disso, ter influência interpessoal e aceitar a ideia do colega, dentro dos limites relacionados à integridade.

Construir redes de relacionamentos na medida que se desenvolve projeto comuns com as pessoas é importantíssimo para o sucesso neste ambiente de gerência. E uma boa interação com a equipe melhora a atuação do trabalho, resultando em mais engajamento.

“É importante desmistificar que essa arena política corporativa é local de politicagem. É um espaço de relacionamento, para o desenvolvimento e construção coletiva da organização. E esse ambiente político existe em qualquer agrupamento humano, em qualquer instituição, seja social, filantrópica ou esportiva. Só mudam as pressões. Temos que estar preparados”, aconselhou Dutra. 

As palestras da ExpoGestão 2021 acontecem de forma online. O evento acorre até o dia 21 de outubro, por meio do site da ExpoGestão. A organização é da Ópera Eventos Corporativos.


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