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Cenário econômico é desafiador para o Brasil e o mundo

O mundo está à beira de uma crise, como em 2008, mas se naquele ano havia um problema financeiro mundial onde todos estavam passando pela mesma coisa, hoje cada país tem seu próprio problema. A afirmação foi feita por Luis Otávio Leal, economista-chefe no Banco Alfa, durante a Jornada do Conhecimento ExpoGestão. Leal fez um panorama da economia mundial e destacou que a China – que costumava ser o mercado consumidor que alavancava a retomada em outras crises mundiais – não deve repetir este papel.

“O crescimento da China deve ficar na faixa de 3% neste ano e daqui para a frente. O país tem problemas de curto prazo (uma política de tolerância zero da Covid-19), médio prazo (o setor imobiliário está quebrado e a solução pode acabar com o crescimento do país nos próximos anos) e longo prazo (uma possível invasão a Taiwan)”, diz. Leal explica que 20% do PIB chinês está relacionado ao mercado da construção civil e que 76% da poupança interna chinesa está em imóveis. “As duas soluções são deixar o mercado quebrar (como fizeram os americanos em 2008) ou nacionalizar a dívida (como fez o Japão na década de 80). Ambas têm impacto na economia”, explica.

Atualmente, cerca de 30% da exportação brasileira é destinada à China. “Mas só 50% da pauta brasileira de exportações deve ter problemas, porque mesmo crescendo pouco, sabemos que qualquer aumento de consumo de um país leva a um aumento de consumo de proteína. Commodities agrícolas vão ter pouco impacto. Tenho muita preocupação com commodities metálicas”, afirma. “Devemos ficar de olho na Índia, que se conseguir resolver problemas sociais internos (principalmente as questões de castas) tem potencial de ser uma nova China, pois já se tornou a terceira economia em poder de compra e tem uma população em forte crescimento”, finaliza.

A guerra da Ucrânia é o grande problema para a economia da Europa. O gás natural já teve seu pico de consumo, que causou alta na inflação europeia e baixo crescimento. “A matriz energética da Europa é gás natural ou petróleo e alguns países são muito dependentes da energia que vem da Rússia”, complementa.

Com relação à política monetária dos EUA, Leal destaca que o desemprego é o menor da história (3,5%), a inflação é 7,66% e os juros estão subindo. “A probabilidade de recessão é muito alta no curto prazo e pode ter uma desaceleração bem forte da bolsa americana”, diz o economista. Leal ressalta também que o indicador de valorização do dólar está acima da média histórica e isso deve levar a um período ruim para o preço das commodities.

Leal destacou também uma tendência pós-covid: a reglobalização – regionalização da globalização, incentivada pelo desejo das empresas de terem fornecedores mais próximos de sua base. “Vemos a reorganização do mapa de globalização mundial e o Brasil é um player importante neste sentido. É importante que o país dê os incentivos corretos, especialmente em relação à reforma tributária”.
O economista-chefe do Banco Alfa destaca que neste ano o Brasil deve apresentar inflação abaixo da Europa, do Reino Unido e talvez dos Estados Unidos. Assegura, também, que existe uma expectativa positiva do mercado mundial em relação ao novo governo e a possibilidade de o Brasil atrair novos investimentos se não houver medidas que prejudiquem a economia.

As expectativas para o Brasil
O Brasil deve ter um 2023 mais difícil do que 2022, prevê Pedro Ramos, economista-chefe do Sicredi. “Neste ano imaginamos um crescimento pequeno, mas ele foi superado especialmente pela elevação de commodities de mais de 60% em relação ao período pré-covid. Observamos também que vários setores abriram margem de rentabilidade, vimos o consumo das famílias subindo, recuperamos a taxa de emprego e registramos um nível de investimento estadual alto e uma demanda bastante aquecida”, explica.

Já no ano que vem o cenário deve ser um pouco parecido com o resto do mundo. “O país tende a passar por um período de desaceleração econômica, mas este deve ser um processo temporário. Superada a fase do aperto de juros, devemos voltar a ter crescimento a taxas maiores que 1%”. O economista-chefe do Sicredi acredita em uma gradual desinflação, bem como na reorganização das cadeias de suprimento e no ajuste dos preços das commodities – tudo isso contribuindo para a redução do nível de inflação até 2024. “Com isso será possível baixar a taxa de juros e estimular os investimentos”, afirma. A melhora do cenário econômico deve levar a uma avaliação mais positiva do Brasil no raiting das agências de risco no médio prazo”.

Ramos também falou sobre as expectativas econômicas para o próximo governo – baseado no discurso do candidato, no documento assumido antes das eleições e nas ações da equipe de transição. “Existe tendência de aumento do gasto público, devemos ter a aprovação da Reforma Tributária, com simplificação das regras fiscais brasileiras e uma política internacional de valorização da área ambiental, levando a melhorar a visão externa no Brasil”, diz. Ele também ressalta que o novo governo terá que respeitar as novas leis que limitam as ações junto às estatais.