
Com o avanço da inteligência artificial, cresce o número de empreendedores que criam e operam negócios sozinhos – os chamados solopreneurs. Ferramentas baseadas em IA permitem lançar empresas em poucas semanas, automatizar processos, estruturar atendimento, marketing e desenvolvimento de produtos com custos reduzidos. Essa combinação torna viável transformar ideias em negócios escaláveis com estrutura mínima. Há, inclusive, quem aposte que o primeiro “unicórnio” de uma única pessoa — avaliado em US$ 1 bilhão – pode surgir nesse novo cenário.
O impacto já é perceptível na economia. Nos Estados Unidos, aumentou o número de empresas individuais formalizadas após a popularização das plataformas de IA, enquanto o tempo médio para contratação do primeiro funcionário se alongou, refletindo operações mais enxutas. Profissionais de diferentes perfis têm utilizado a tecnologia para acelerar lançamentos, testar modelos de negócio com menor risco e manter empresas lucrativas com dedicação parcial, ampliando a produtividade individual.
Apesar do entusiasmo, especialistas alertam para limites e riscos. Projetos corporativos baseados em IA ainda apresentam altos índices de fracasso, vendas complexas continuam exigindo relacionamento humano e negócios individuais enfrentam vulnerabilidades estruturais, como dependência total do fundador. A tecnologia reduz barreiras de entrada e amplia oportunidades, mas não substitui estratégia, diferenciação e capacidade de execução — fatores que seguem determinantes para a sustentabilidade e o sucesso no longo prazo.
Fonte: Veja Negócios, janeiro, 2026.


