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Da mesa dos nerds à mesa dos CEOs

Em uma das palestras de maior interesse na Expogestão, David Espindola, empresário, estrategista e consultor de tecnologia digital, apresentou à plateia dados e informações que mostram como as tecnologias emergentes estão transformando o mundo dos negócios, o trabalho e a sociedade.
As mudanças estão acontecendo de forma exponencial. Exemplificou a chamada curva exponencial com a dobra de uma folha de papel de escritório. Dobrando seis vezes, ela alcança a espessura de um centímetro. Depois disso, o que é praticamente impossível de se fazer de forma convencional, percebe-se o quanto ela aumenta. Se fosse possível dobrar 50 vezes, alcançaria 110 milhões de quilômetros de espessura, praticamente a distância da Terra ao Sol.
Muitas tecnologias estão crescendo de forma intensa. “A cada dois anos, dobra-se o número de transmissores em um microchip, por exemplo. Hoje, já existem microchips com 50 milhões de transmissores”, explicou.
O consultor em tecnologia digital resgatou alguns marcos históricos. Trouxe a capa da revista Forbes de 2007 que apresentava a Nokia e sua marca de 1 bilhão de clientes e a pergunta: “Alguém alcançará o rei do celular?”. No mesmo ano, Steve Jobs anunciava o iPhone. As mudanças são cada vez mais intensas e quem não muda, tende a desaparecer.
Um bom exemplo que Espindola trouxe foi da Disney, empresa que estava em uma posição confortável, mas não se acomodou. Robert Igor ousou e criou a plataforma própria de distribuição de seus conteúdos, a Disney Plus, que atualmente é uma das grandes fontes de receita da companhia. “Precisamos de executivos que sejam ousados e tenham atitude”, ressaltou.
Espindola apresentou três marcos que contribuíram para acelerar o desenvolvimento da Inteligência Artificial:
1997 – quando o IBM Deep Blue venceu Garry Kasparov, campeão mundial de Xadrez;
2011 – quando o IBM Watson venceu Brad Ruttner e Ken Jennings, os campeões de Jeopardy; e
2017 – quando o Google Deepmind venceu Ke Jie, o melhor jogador de Go, jogo considerado mais complexo que o xadrez.
Também mostrou que esses fatos geraram um aprendizado profundo para a humanidade, acelerando a evolução da Inteligência Artificial. Em 2010 praticamente não existiam patentes em Inteligência Artificial. Em 2021 foram registrados 140 mil pedidos de patentes em IA. Os investimentos nessa área subiram de praticamente zero em 2013 para 160 bilhões em 2021, sendo 12 bilhões investidos em startups.
O ChatGPT, lançado em novembro de 2022, por exemplo, alcançou em apenas cinco dias mais de um milhão de usuários e, atualmente, já são mais de 100 milhões de usuários ativos por mês.
A IA pode ser aplicada em uma série de áreas em uma corporação. Desde o atendimento personalizado ao cliente, resolução de problemas, passando pela área de recursos humanos, manufatura com fábricas autônomas e detecção de defeitos, até as áreas de distribuição, armazenamento, marketing, engajamento de clientes, pesquisa e desenvolvimento de produtos.
O palestrante também discorreu sobre as profissões do futuro. Explicou que os empregos de natureza algorítmica, que seguem um padrão ou uma série de instruções, estarão mais expostos. Entretanto, a maioria dos profissionais do conhecimento não será substituída, mas a IA tornará os trabalhadores mais eficientes. Além disso, completou, outros empregos relacionados diretamente à área digital e IA serão criados.
Espindola aproveitou para passar sua visão de futuro. “Imagine um futuro no qual possamos criar abundância para atender às necessidades materiais da humanidade. Imagine um futuro em que a força deflacionária das tecnologias exponenciais reduz o custo de vida para que todos os seres humanos possam desfrutar de uma vida digna. Imagine um futuro em que as máquinas fazem o trabalho braçal para que os humanos possam se concentrar em atingir objetivos mais elevados. Esse é o futuro que eu acredito e desejo para todos nós”, finalizou.