SAVE THE DATE

08 A 10 DE JUNHO DE 2027

01/10/2026

E se o futuro não seguir o plano?

Uma estratégia pode ser consistente, bem construída e baseada em dados — e ainda assim ficar vulnerável quando as premissas que a sustentam começam a mudar.

É aqui que surge uma questão incômoda para a liderança: quanto da estratégia atual depende da ideia de que o amanhã será uma continuação do hoje?

O problema não está em planejar. Está em construir um plano que só funciona enquanto suas premissas permanecem intactas. Mercados mudam, tecnologias avançam, comportamentos se transformam e novas condições podem alterar a lógica de um negócio. O que parecia uma certeza pode se tornar uma variável.

É nesse ponto que o foresight estratégico amplia o campo de decisão. Em vez de olhar apenas para a projeção mais provável, a organização passa a considerar sinais, tendências e diferentes possibilidades — inclusive aquelas que ainda parecem distantes.

Na prática, isso muda as perguntas. O que poderia invalidar essa projeção? Qual condição, se mudasse, faria essa decisão deixar de fazer sentido?

A lógica não é adivinhar qual dessas possibilidades vai acontecer. É testar a estratégia antes que o cenário a teste.

A Fundação Dom Cabral destaca que o foresight estratégico amplia as “lentes” da organização para identificar e interpretar megatendências, macrotendências e sinais de futuro, integrando essa leitura aos processos estratégicos. A BCG, em sua abordagem de strategic foresight, também enfatiza o questionamento contínuo de premissas, vieses e modelos mentais, além da identificação de sinais de possíveis disrupções.

Mas existe uma diferença importante entre construir cenários e usá-los para decidir.

Uma estratégia pode parecer sólida no cenário considerado mais provável e, ainda assim, depender de condições que não estão sob controle da empresa. Testá-la diante de possibilidades diferentes ajuda a revelar quais escolhas permanecem válidas, quais são condicionais e quais precisam de gatilhos claros para uma revisão de rota.

É aí que o foresight deixa de ser um exercício sobre o futuro e passa a ser uma ferramenta sobre as decisões de hoje.

Porque considerar futuros diferentes não significa paralisar a decisão. Significa evitar que uma decisão de hoje feche, sem perceber, as opções de amanhã.

No fim, talvez o maior valor do foresight não esteja em antecipar acontecimentos específicos. Está em reduzir a dependência de uma única visão sobre o que vem pela frente.

Porque o futuro pode contrariar o plano. A questão estratégica é o que a organização terá construído antes disso: uma estratégia que precisa ser refeita quando as premissas mudam ou uma capacidade de perceber sinais, testar hipóteses e ajustar escolhas enquanto ainda existe espaço para agir.

Talvez a questão não seja saber qual futuro vai acontecer. E sim em descobrir quanta capacidade de escolha sua empresa ainda terá quando ele começar a acontecer.

Fontes:
Fundação Dom Cabral; Boston Consulting Group (BCG)

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