
Terceira edição do Reporting Matters Brasil avaliou 82 relatórios de sustentabilidade publicados em 2025
O relatório de ESG virou uma prioridade para as empresas brasileiras, conforme aponta a terceira edição do Reporting Matters Brasil, publicada no dia 3 de março. O estudo avaliou 82 relatórios de sustentabilidade de 2025 e identificou uma maturidade das empresas em relação aos princípios de ESG, sigla em inglês para Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança).
O Reporting Matters Brasil é desenvolvido pelo Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), com base em 16 critérios e 76 subcritérios, organizados em quatro dimensões: princípios, conteúdo, efetividade e Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), da ONU.
Conforme Daniela Mignani, diretora-executiva corporativa do CEBDS, o estudo aponta que os relatórios de 2025 estão mais técnicos e estruturados.
O salto de qualidade deve-se ao fato de 97% dos documentos analisados seguirem o padrão Global Reporting Initiative (GRI) – referência internacional para os relatórios ligados a ESG.
As empresas também profissionalizaram a produção para garantir mais confiança aos dados apresentados: 84% dos relatórios passaram por auditoria externa, ainda que parcial.
A priorização da dupla materialidade ganhou força, passando de 54% para 75% de adesão corporativa. O conceito considera tanto os aspectos financeiros quanto os socioambientais para guiar as iniciativas corporativas.
Clima e Direitos Humanos
Apesar da melhora na análise e divulgação das iniciativas de sustentabilidade, o estudo aponta um enfraquecimento nas iniciativas climáticas.
Houve um retrocesso notável nos compromissos de neutralidade de carbono. A adoção à meta mais rigorosa – que prevê a redução e neutralização de emissões residuais – sofreu uma queda drástica, passando de 46% em 2023 para apenas 16% em 2025. Somado a isso, houve um aumento na desmobilização em torno do tema, com o percentual de empresas sem metas definidas subindo de 29% para 35%.
A pesquisa sugere que esse recuo pode ser um reflexo da alta complexidade técnica na mensuração de emissões e o rigor das exigências regulatórias, que tornam as metas mais desafiadoras para as corporações.
Em contraste com a área climática, a agenda de Direitos Humanos registrou avanços: a adesão aos Princípios Orientadores das Nações Unidas sobre Empresas e Direitos Humanos (UNGP) cresceu significativamente. O total de empresas com compromissos sólidos ou referências diretas a esses princípios nos relatórios saltou de 58% em 2024 para 69% em 2025.
Destaques
O Reporting Matters Brasil utiliza uma metodologia rigorosa. A análise abrange desde a completude dos dados e o engajamento dos stakeholders até a governança de sustentabilidade e a definição de metas. Com base nesse desempenho, o CEBDS selecionou as 15 empresas com os relatórios mais maduros entre os 82 analisados. Veja a lista em ordem alfabética:
- Ambipar
- Axia Energia (ex-Eletrobras)
- Banco do Brasil
- Bracell
- Cemig
- Eneva
- Engie
- Itaú
- Marfrig
- Motiva
- Nexa
- Petrobras
- Suzano
- Telefônica Vivo
- Votorantim Cimentos
Fonte: Seu Dinheiro


