
Levantamento traz dados sobre aplicação de tecnologia nas áreas de marketing e vendas
Um levantamento apresentado no Fórum B2B identificou o principal obstáculo das empresas brasileiras na adoção de inteligência artificial (IA): os dados. Enquanto 92% das companhias planejam ampliar investimentos em IA para marketing e 81% para vendas, metade delas não pretende investir em saneamento de dados na área comercial — e 40% repetem a lacuna em vendas. Sem essa base organizada, aponta o estudo, a tecnologia perde parte do seu potencial de retorno.
Os números fazem parte do primeiro Índice de Maturidade Tecnológica em Marketing (IMTM) e em Vendas (IMTV), apresentados na palestra “LiveU Insights: o retrato da maturidade tecnológica e crescimento B2B no Brasil”, em São Paulo.
A desorganização aparece também na integração entre sistemas. Embora 96% das empresas pesquisadas já usem CRM e 78% utilizem ERP, quase 40% delas não conectam as duas ferramentas, e cerca de um terço mantém o CRM isolado das plataformas de marketing. O resultado, segundo os pesquisadores, é informação espalhada: fica mais difícil cruzar dados, medir resultados e personalizar campanhas.
Mesmo com essas falhas estruturais, a área de marketing somou 55 pontos no IMTM — pontuação suficiente para entrar no nível “Estruturada”. Para o estudo, isso mostra um descompasso: a infraestrutura e as ferramentas avançaram mais rápido do que o uso estratégico dos dados, principalmente quando o objetivo é IA analítica ou preditiva.
Alex Leite, diretor Corporativo da Live University | Ibramerc, defendeu durante a apresentação que a solução passa por pessoas, não só por tecnologia. Segundo ele, times de cinco integrantes já deveriam contar com uma sexta posição dedicada exclusivamente a dados, processos e treinamento — caso contrário, a transformação não acelera.
O uso efetivo da IA ainda é desigual: 43% das empresas de vendas dizem não usar nenhuma aplicação da tecnologia, ante 15% no marketing, área em que a maioria já aplica entre uma e cinco ferramentas. Rafael Scucuglia, diretor Acadêmico da Live University | Ibramerc, avalia que esse cenário muda com a chegada de agentes de IA especializados por função. Segundo ele, empresas que ainda usam a IA apenas para tarefas simples precisam repensar essa postura, porque adotar a tecnologia antes dos concorrentes se tornará vantagem competitiva.
O estudo também mapeou o que separa projetos de transformação digital bem-sucedidos dos que travam. Alinhamento entre marketing e vendas lidera como fator de sucesso, citado por 67% dos entrevistados, seguido por engajamento da liderança (46%), metodologia de implantação (35%) e participação da área de tecnologia (32%). Do outro lado, dificuldade para comprovar retorno sobre investimento (44%) e complexidade operacional (36%) são as barreiras mais citadas.
Fonte: TECMundo.


