
A pressão por inovação acelerada e resultados consistentes coloca os executivos diante de um paradoxo estratégico às vésperas de 2026. Embora a inteligência artificial e a automação sejam apontadas como caminhos inevitáveis para a competitividade, a escassez de talentos surge como um dos maiores entraves para transformar tecnologia em valor real, gerando incertezas sobre onde e como investir.
Esse cenário é evidenciado por pesquisa da Rimini Street em parceria com a Censuswide Research, que ouviu 4.300 executivos C-Level no mundo, incluindo 370 no Brasil.
O levantamento mostra que 46% dos CIOs e 43% dos CEOs consideram a automação e a IA fundamentais tanto no curto quanto no longo prazo. Ainda assim, quase a totalidade dos entrevistados (98%) afirma que a falta de profissionais qualificados em TI compromete diretamente a viabilidade das estratégias de inovação.
Os impactos da escassez de talentos vão além da dificuldade de contratação. Segundo o estudo, ela limita a capacidade de explorar novas oportunidades de crescimento (36%), sobrecarrega equipes existentes (35%) e amplia vulnerabilidades técnicas (35%). O resultado é um ambiente em que a inovação avança de forma desigual, pressionada pela falta de pessoas capazes de sustentar a transformação tecnológica.
Diante desse desafio estrutural, empresas passam a olhar com mais atenção para o desenvolvimento interno de talentos. A Unico, líder em verificação de identidade, estruturou uma estratégia de educação corporativa contínua para reduzir a dependência do mercado externo. Recentemente, a companhia promoveu uma imersão internacional com 32 colaboradores nos Estados Unidos, combinando formação executiva em Harvard com experiências práticas no Vale do Silício.
Para Jon Fay, instrutor de Business Strategy no programa da DCE em Harvard, a educação executiva tornou-se decisiva em um cenário marcado pela economia da informação e por modelos de negócio do tipo “winner take most”. “Não estamos mais falando de ganhar um ou dois pontos de market share, mas de decisões que definem se a empresa será extremamente bem-sucedida ou um fracasso total”, afirma.
Essa lógica reforça a necessidade de líderes preparados para operar em ambientes instáveis e desconfortáveis. Segundo Rafaela Provensi, diretora sênior de Operações e Pessoas da Unico, desenvolver talentos é um processo contínuo e estratégico. “A evolução raramente acontece no conforto. Sistemas que sobrevivem são os que se permitem mudar antes de serem forçados”, diz. Para ela, a principal vantagem competitiva rumo a 2026 será formar equipes dispostas a aprender constantemente e a enfrentar o desconforto como parte do crescimento.
Fonte: Portal Tiinside