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26/02/2026

‘Herançocracia’: por que o patrimônio dos pais pesa cada vez mais no sucesso financeiro

Autora do best-seller Inheritocracy, a historiadora britânica Eliza Filby defende que o sucesso financeiro das novas gerações depende, cada vez mais, da ajuda familiar – o chamado “banco da mamãe e do papai”. Para ela, empregados com menos de 45 anos têm hoje mais chance de comprar uma casa sendo leais aos pais do que ao empregador.

Filby usa o termo “herançocracia” como contraponto à meritocracia. Em vez de esforço e talento determinarem oportunidades, o fator decisivo passa a ser o acesso ao patrimônio acumulado pela geração dos baby boomers (1946–1964). O fenômeno impacta principalmente geração X e millennials, e pode se intensificar entre a geração Z e a alfa.

A ideia de meritocracia, lembra a autora, surgiu como sátira no livro The Rise of the Meritocracy, do sociólogo Michael Young. Com o tempo, porém, o conceito passou a ser tratado como ideal. Para Filby, a promessa de que estudo e esforço garantiriam ascensão funcionou para muitos boomers em um contexto de crescimento econômico no pós-guerra e expansão do ensino superior.

O problema, segundo ela, é que esse modelo não se sustentou para todos. A partir dos anos 1990, consolidou-se a narrativa de que universidade e carreira estável seriam o único caminho para a segurança financeira, mas o sistema não conseguiu oferecer as mesmas oportunidades a todos. Resultado: em uma sociedade cada vez mais desigual, a herança e o apoio familiar ganham peso decisivo na trajetória econômica das novas gerações.

Esse cenário ajuda a explicar a frustração crescente entre jovens qualificados que, apesar de diplomas e especializações, enfrentam salários comprimidos, imóveis caros e menor mobilidade social. Sem a ajuda financeira da família para a entrada em um imóvel, apoio em momentos de transição profissional ou até reforço na renda, muitos permanecem mais tempo dependentes ou retardam marcos tradicionais da vida adulta.

Para Filby, discutir a herançocracia não significa desconsiderar o valor do esforço individual, mas reconhecer que o ponto de partida se tornou cada vez mais desigual. Quando patrimônio e rede familiar passam a definir oportunidades, o debate sobre mérito precisa ser revisto – e políticas públicas, mercado de trabalho e modelos educacionais precisam se adaptar a uma realidade em que a riqueza herdada exerce influência crescente sobre o futuro econômico.

FONTE: Época Negócios, 11/02/2026

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