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15/10/2026

Indústria aponta juros como maior entrave ao crédito, mostra CNI

Os juros altos continuam sendo o principal obstáculo para a indústria que busca financiamento. A conclusão é da Sondagem Especial nº 107, da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta sexta-feira (9). Entre as empresas que enfrentaram dificuldades para obter crédito de curto e médio prazo (até cinco anos), cerca de 76% citaram as taxas elevadas. No crédito de longo prazo (acima de cinco anos), o índice foi de quase 69%.

A pesquisa ouviu 1.701 indústrias, sendo 692 pequenas, 612 médias e 397 grandes, entre 3 e 12 de agosto de 2026. Os dados se referem ao período de fevereiro a julho. Apesar de ainda liderar o ranking, a queixa com os juros perdeu força: na edição anterior, eram 80% no curto e médio prazo e 71% no longo prazo.

Para Maria Virgínia Colusso, analista de Políticas e Indústria da CNI, o cenário reflete o ritmo lento de redução da taxa básica. A Selic começou o ano em 15%, e o Banco Central tem sido cauteloso nos cortes. Segundo ela, a queda dos juros leva tempo para chegar ao custo do crédito, que ainda é alto para as empresas.

As exigências de garantias reais, como imóveis, aparecem em segundo lugar: 33,4% no curto e médio prazo e 31,5% no longo prazo. Em terceiro, a burocracia pesa para 13,6% das empresas no crédito de curto e médio prazo. No longo prazo, a terceira maior dificuldade é o prazo de carência menor que o necessário (18,9%).

Quase metade das indústrias (49,9%) não buscou contratar ou renovar crédito de curto e médio prazo no período; 22,9% conseguiram e 7,5% tentaram sem sucesso. No longo prazo, 54% não procuraram crédito, 15,5% obtiveram e 9,2% não conseguiram. Considerando só quem tentou, 24,7% não tiveram êxito no curto e médio prazo e 37,2% no longo prazo, acima dos 20% e 33% do ano passado.

As pequenas empresas são as mais afetadas. No curto e médio prazo, a frustração atinge 32% das pequenas, 28,4% das médias e 20,3% das grandes. No longo prazo, são 48,2%, 48,1% e 29,9%, respectivamente.

Outro ponto de atenção é a finalidade do crédito de longo prazo. O capital de giro foi o principal motivo, citado por 28,7% das empresas, à frente de máquinas e equipamentos (23,6%) e construção e instalações (11,6%). Entre as grandes, o investimento em máquinas caiu de 36% para 25%, enquanto o capital de giro passou de 25% para 26,7%. Colusso destaca que o capital de giro, usado para folha de pagamento e compra de insumos, é esperado no curto prazo, mas chama atenção quando financiado no longo prazo, linha normalmente voltada a investimentos.

Fonte: Portal da Indústria

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