
A inteligência artificial deu um passo decisivo rumo ao mundo físico e começa a transformar setores inteiros da economia global. Robôs autônomos já realizam cirurgias de alta precisão, operam em armazéns logísticos, pulverizam lavouras com drones e circulam por ambientes urbanos, deixando claro que a IA ultrapassou os limites dos data centers. Essa transição do laboratório para a operação real marca o início de uma nova era da automação.
Segundo estimativas da Kinea Investimentos, a chamada IA física tem potencial para movimentar cerca de US$ 735 bilhões até 2035. Já os robôs humanoides, ainda em fase inicial de adoção comercial, devem registrar crescimento anual de 60% e alcançar até 650 milhões de unidades em circulação até 2050, de acordo com projeções do Citigroup. O avanço acelerado reflete o salto na precisão da IA generativa, que evoluiu de forma exponencial nos últimos 18 meses.
A principal diferença da IA física em relação à IA generativa está na capacidade de percepção e ação no ambiente real. Sensores avançados permitem que robôs interpretem dados, tomem decisões e se movimentem de forma autônoma, sem depender de trajetos fixos ou comandos humanos constantes. Casos como os robôs industriais da Alemanha, referência global em indústria 4.0, ilustram como esses sistemas já operam com segurança e eficiência ao lado de pessoas.
Gigantes da tecnologia também intensificam seus investimentos nessa nova fronteira. A Nvidia, líder global em chips e semicondutores, aposta na IA física como eixo estratégico de crescimento e já apoia mais de 90 fabricantes de robôs no mundo. Setores como logística, indústria automotiva, petróleo e gás e saúde despontam como os mais avançados na adoção desses equipamentos, inclusive no Brasil.
Na prática, os ganhos de produtividade já são evidentes. Na logística, robôs autônomos reduzem deslocamentos de funcionários, aceleram o processamento de pedidos e ampliam a capacidade operacional de grandes marketplaces. Na saúde, sistemas robóticos de última geração permitem cirurgias menos invasivas, com maior precisão, menor tempo de recuperação e potencial para otimização futura dos procedimentos a partir da análise de dados médicos.
Apesar do avanço rápido, os desafios permanecem relevantes. O alto custo dos equipamentos, especialmente na área da saúde, levanta debates sobre acesso, sustentabilidade financeira e cobertura por planos e sistemas públicos. Além disso, especialistas alertam que o maior gargalo da IA física hoje é a falta de profissionais qualificados para integrar tecnologia, engenharia e negócios.
À medida que a inteligência artificial ganha corpo e movimento, o futuro da automação dependerá não apenas de máquinas mais inteligentes, mas de pessoas preparadas para colocá-las em ação com responsabilidade e segurança.
FONTE: ÉPOCA NEGÓCIOS