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08 A 10 DE JUNHO DE 2027

26/10/2026

O peso da dívida e das despesas obrigatórias

A reeleição do presidente Lula sinaliza a continuidade de uma política econômica baseada na atuação do Estado como indutor de demanda, por meio da expansão dos gastos públicos, das transferências de renda e dos mecanismos de estímulo ao crédito.

Na avaliação de Fernando Marchet, sócio-fundador e CEO da Bateleur, esse modelo enfrenta limitações crescentes diante da deterioração das contas públicas e dos sinais de desaceleração da atividade econômica.

A manutenção da atual orientação econômica tende a resultar em um plano fiscal limitado, sem uma estratégia plurianual consistente e com risco de adiamento de medidas necessárias ao equilíbrio das contas públicas.

Nesse contexto, a continuidade do Estado como principal indutor dos investimentos pode preservar a incerteza para o capital privado, restringindo a disposição das empresas para ampliar sua capacidade produtiva e assumir compromissos financeiros de longo prazo.

Ajuste fiscal limitado e trajetória da dívida pública

Um dos principais desafios econômicos para o próximo mandato será a sustentabilidade das contas públicas. Segundo os dados apresentados por Marchet, os gastos primários do governo federal aumentaram quase R$ 500 bilhões em relação ao encerramento do mandato anterior, enquanto a arrecadação, embora crescente, não acompanhou o mesmo ritmo de expansão.

A dívida bruta do governo geral passou de aproximadamente 71% para 83% do Produto Interno Bruto (PIB) ao longo do atual mandato, evidenciando a deterioração do quadro fiscal.

O cenário se torna ainda mais complexo diante da rigidez orçamentária. Atualmente, cerca de 91% das despesas federais são obrigatórias, o que limita a capacidade de realizar ajustes sem mudanças estruturais.

Na avaliação do executivo, a continuidade de uma estratégia fiscal predominantemente apoiada no aumento da arrecadação, em um ambiente de carga tributária já altamente elevada e de dificuldades para a construção de consensos no Congresso, tende a restringir as possibilidades de estabilização da dívida pública.

A ausência de medidas consistentes de controle das despesas tende, portanto, prolongar o desequilíbrio fiscal e manter elevada a percepção de risco sobre a economia brasileira.

Juros elevados e limitações ao investimento privado

A deterioração das contas públicas também produz efeitos sobre o custo de financiamento da economia. Uma trajetória de endividamento crescente tende a pressionar os juros de longo prazo, dificultando a redução sustentável da taxa básica de juros e encarecendo o acesso ao crédito.

Para as empresas, esse ambiente representa maiores custos de capital, menor atratividade de novos projetos e restrições à expansão dos investimentos produtivos.

Os efeitos já podem ser observados na desaceleração da atividade econômica.
Segundo os dados apresentados na ExpoGestão, o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) registrou recuo de 0,3% nos últimos três meses analisados, enquanto o crescimento acumulado em 12 meses foi de apenas 1,3%.

Na avaliação de Marchet, esses indicadores reforçam os limites de um modelo de crescimento sustentado principalmente pela expansão da demanda e dos gastos governamentais.

Perspectivas de baixo crescimento em 2027

As projeções apresentadas pela Bateleur para um cenário de continuidade da política econômica apontam para um ambiente de maior pressão inflacionária, juros elevados e crescimento econômico limitado.

Para 2027, a análise considera uma expansão do PIB de apenas 0,6%, inflação medida pelo IPCA entre 6,8% e 7,9%, taxa Selic de 15,50% ao final do período e câmbio entre R$ 5,50 e R$ 6,25 por dólar.

Essas estimativas refletem um cenário no qual a manutenção dos desequilíbrios fiscais dificulta a redução dos juros, compromete a confiança dos agentes econômicos e restringe a capacidade de crescimento da iniciativa privada.

O principal risco, segundo a análise apresentada por Marchet, é a consolidação de um ciclo de juros elevados, crescimento muito fraco e dívida pública em trajetória ascendente.

Para o setor empresarial, esse contexto reforça a importância de uma gestão financeira criteriosa, com atenção à estrutura de capital, ao custo de financiamento e à avaliação dos riscos envolvidos nas decisões de investimento e expansão.

Mercado financeiro reage à reeleição de Lula com forte aversão ao risco

A abertura dos mercados no primeiro dia pós-eleição, confirmando a vitória de Lula, reforçam os desafios sinalizados pela Bateleur na última sexta-feira (23), onde há uma forte reação dos mercados e uma aversão a riscos.

O dólar sobe expressivamente – chegando a bater R$ 5,60, numa alta superior a 12% –, a bolsa de valores registra queda de aproximadamente 15% – com ações de algumas empresas do setor varejista acumulando perdas superiores a 50% –  e, sobretudo, as taxas de juros de longo prazo, em particular no mercado futuro de DI  – registrando altas que chegaram a superar 300 basis points, equivalentes a 3 pontos percentuais de alta com relação ao último pregão pré-eleitoral – elevando as projeções da taxa Selic para os próximos 10 anos para mais de 15% ao ano.

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