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O que procuramos quando falamos em Estratégia e Inovação?

  Celso Hiroo Ienaga abordou o tema na Jornada do Conhecimento Expogestão tendo como foco o racional econômico e a viabilização da inovação nas organizações Sempre que discorrem sobre Estratégia…

 

Celso Hiroo Ienaga abordou o tema na Jornada do Conhecimento Expogestão tendo como foco o racional econômico e a viabilização da inovação nas organizações

Sempre que discorrem sobre Estratégia e Inovação, é comum as pessoas falarem que estão em busca da resposta ou da pergunta certa. “Mas o desafio é pensar nas novas questões que precisam ser trazidas à mesa neste mundo VUCA (Volatilidade, Incerteza, Complexidade e Ambiguidade), que é o novo normal”.

Segundo Celso Ienaga, o que levou a esta nova realidade foi a mudança de algumas premissas: o que parecia impossível agora é possível; o futuro passou a ser agora (e a questão é o que vem depois) e existe abundância de informação e conhecimento e escassez profunda de tempo e atenção.

“Se em 1900 o volume de conhecimento dobrava a cada 100 anos e no pós-guerra a cada 25 anos, em 2017 isso passou a ocorrer a cada 12 meses e a IBM projeta que o conhecimento humano registrado, em 2020, vai dobrar a cada 12 horas”, lembrou.

Para o especialista em Estratégia e Inovação, a mudança da referência temporal requer uma nova perspectiva de enxergar o mundo. “É a diferença entre estar numa estação de trem, observando a paisagem mudar lentamente, e estar dentro do trem, onde a paisagem e a realidade mudam cada vez mais rapidamente quando o trem começa a acelerar”, exemplifica.

Neste novo normal, diz Ienaga, é preciso lembrar do ensinamento de Darwin: quem vai sobreviver neste tipo de processo não é o mais forte ou o mais inteligente, mas o mais capaz de se adaptar. Também é preciso repensar a forma de agir, olhando as coisas e vendo possibilidades com uma postura crítica. – E se isso for possível? – Por que não?

Ienaga lembrou que, na história da humanidade, a evolução humana foi causada por muitas inovações. ”Só que agora os ciclos estão cada vez menores e seus impactos maiores”.  Destacou, também a necessidade de pensar como estamos tratando disso enquanto países. “O Brasil é formado por empreendedores, mas não é muito bem avaliado na sua capacidade de sofisticação, não se destacando nos rankings mundiais”, disse.

Ao refletir sobre como uma nação pode inovar de forma diferente, destacou o caso de Israel.  “É um país muito pequeno, com menos de 10 milhões de habitantes. Cerca de 50% de seu PIB é gerado diretamente por tecnologia e inovação. Tem cerca de 6.300 startups, universidades de alto nível, como o Tecnion, que tem dois prêmios Nobel. Tem organizações que contribuem na própria transferência de tecnologia para a iniciativa privada. Tem aceleradoras que ajudam empreendedores para se desenvolver e se preparar. Tem incubadoras dentro das empresas financiadas e suportadas pelos governos para alcançar o mercado global. E ao longo do tempo vem trazendo fundos e investidores que ajudam a testar o mercado, com mais governança e preparação”.

Ienaga ressaltou também a importância de pensar a inovação em diversos níveis e camadas, passando pelo operacional, tecnológico, prestação de serviços e formas diferentes de fazer gestão. “A inovação tem que gerar valor e se viabilizar. Ser possível é diferente de ser viável como oferta”, explicou.

O desafio estratégico, segundo o especialista, é ampliar a visão e entender dos negócios de forma ampla. “Se a mudança é uma constante, temos que nos questionar quanto estamos prontos para viver em um trem que cada vez mais acelera. É preciso entender que ou você cria e muda o seu produto ou alguém fará isso em seu lugar”.

Outro aspecto enfatizado por Ienaga foi em relação à concorrência. “Muitas das competições não vão vir dos concorrentes, mas de um monte de gente em outros países pensando diferente. Os empreendedores não podem depender só da inovação que vem de dentro. As empresas têm paradigmas internos que as impedem muitas vezes de enxergar. A fonte da inovação deve vir de coisas que vêm de fora”, explicou. Diante disso, mostrou a importância de haver abertura, monitoramento e aprendizado em relação a nova realidade, com a consciência de que é possível que algo possa impactar todo o ecossistema onde a empresa atua.

De acordo com Ienaga, o novo mindset inclui conjugar o pronome nós (e não eles); compartilhar inovação e riscos, encarar de forma diferente cooperação e competição, utilizar plataformas já existentes de inovação; interagir melhor com o usuário e aproveitar tendências para ‘surfar’ nelas e crescer.

“A Daimler tem uma estratégia global de inovação projetada para dois anos. Investir, ao mesmo tempo, em inovação no core de seu negócio (melhorando o produto, com investimentos como o carro elétrico) e no case, criando um misto de produtos e serviços para o ecossistema de mobilidade, que envolve carros autômatos e serviços compartilhados”, exemplificou.

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Sobre o autor

Engenheiro de produção (USP) com especialização pela Wharton School, Celso Ienaga é consultor e membro do Grupo de Estudos de Inovação do IBGC.

Assista ao vídeo de Celso Ienaga na Jornada de Conhecimento 2019