
A economia brasileira caminha para 2026 sob um ambiente de forte tensão entre estímulos ao consumo e a necessidade de controle inflacionário. Essa é a principal leitura da especialista Rita Mundim, apresentada durante o debate Perspectivas 2026, da CNN Brasil, que traça um cenário desafiador para crescimento, política monetária e confiança do mercado.
Segundo Mundim, o modelo econômico atual, fortemente baseado no incentivo ao consumo, tende a manter a taxa básica de juros em patamar elevado. A economista avalia que a Selic deve encerrar 2026 em torno de 12,5%, permanecendo em dois dígitos enquanto prevalecerem políticas de expansão da demanda via crédito e benefícios sociais.
Um dos sinais mais claros da incerteza no horizonte econômico foi a retirada do forward guidance pelo Banco Central. A decisão, explica a analista, está diretamente ligada aos impactos ainda desconhecidos da isenção do imposto de renda.
Para Rita Mundim, o grande nó da economia brasileira está no desalinhamento entre política fiscal e política monetária. Enquanto o governo federal aposta em estímulos ao consumo para sustentar a atividade econômica, o Banco Central se vê obrigado a elevar juros para conter a inflação, criando um movimento contraditório que compromete o equilíbrio macroeconômico.
A economista resume o cenário com uma metáfora direta: “O Banco Central pisa no freio, o governo pisa no acelerador e a gente capota. Todos capotamos na taxa de juros, que precisa subir por causa do Risco Brasil e para conter uma inflação estimulada pelo crescimento da demanda”. O resultado, segundo ela, é um custo maior para empresas, consumidores e para o próprio crescimento sustentável.
O debate também destacou o peso do Risco Brasil na definição dos juros e na percepção dos investidores internacionais, além do impacto direto da inflação no cotidiano da população. Em um ano pré-eleitoral, esse cenário ganha ainda mais relevância, reforçando como as decisões econômicas de hoje terão reflexos não apenas nos indicadores, mas também no ambiente político e social do país em 2026.
FONTE: CNN Brasil