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Por uma adequada higiene mental

Os desafios do mundo moderno – aos quais juntou-se a pandemia de Covid – provocam a criatividade e exigem mais esforço para superá-los. Mas há efeitos colaterais indesejáveis, como estresse, burnout e outros problemas físicos e mentais. O esforço, então, é duplo: vencer desafios e combater os danos. A saúde mental, neste caso, é fundamental para manter o comando sobre o físico. Por isso, a ExpoGestão 2023 pautou o tema A Mente no Comando para abrir o terceiro dia do Congresso, reunindo três personalidades do ramo: o executivo Carlos Aldan, especialista em inteligência emocional e CEO do Grupo Kronberg; Fabiano Moulin, médico especializado em neurologia cognitiva e comportamento; Roberto Aylmer, psiquiatra e consultor.

Carlos Aldan mostrou um quadro sobre o estado mental do mundo, em 2022. Uma pesquisa envolvendo 64 países apontou que 27% enfrentam dificuldades com transtornos mentais; 64% administram a contento a questão; e 39% têm sucesso no enfrentamento do problema. “O Brasil – destaca o especialista – está entre os quatro piores países no enfrentamento dos transtornos mentais.” Estudos apontam um declínio sucessivo na saúde mental, a cada nova geração. Da mesma forma, percebe-se desgaste maior nas relações familiares e de amizade entre os mais jovens. E os países com melhor performance econômica apresentam piores níveis de bem-estar mental, evidenciando os efeitos colaterais citados anteriormente.

Saúde mental não cai do céu
Fabiano Moulin reforçou os aspectos levantados por Aldan, garantindo: “Saúde mental não é aleatória, não cai do céu”. A higiene mental, explica, é uma prática que conduz e mantém a saúde mental: “O cérebro tem a função de cuidar do corpo. Se a saúde mental não vai bem, nada irá bem”. E como manter uma boa saúde mental, sem esperar que ela caia do céu? “Há muitas atitudes de higiene mental, como demonstrar sentimentos, movimentar o corpo, alimentar-se adequadamente, cuidar do sono, dedicar-se a práticas religiosas, ter contato com a natureza, meditar e manter relacionamentos”, enumera Moulin.

Carlos Aldan acrescenta: “Demonstre gratidão, sempre. Todos os dias, aponte três bênçãos ou coisas boas que aconteceram. Isso aumenta a felicidade e diminui a possibilidade de depressão”. Moulin arremata a receita com a psicologia positiva: “Eu estou bem, mas sempre posso melhorar”.

O medo como indutor
Roberto Aylmer destacou a necessidade de unir forças no combate aos problemas: “Sabemos lutar com nossos superpoderes, mas não sabemos usar os superpoderes dos outros. A união cria campos de força. Quanto maior esse campo, mais chances de sucesso teremos”.

Ele aponta o medo como principal indutor do comportamento humano: “O medo um aliado no controle dos comportamentos, ensina a enfrentar problemas”. Por fim, o psiquiatra citou o “sensemaking” como uma ferramenta no combate aos transtornos mentais. Sensemaking é o processo pelo o qual o ser humano cria sentido acerca do mundo que o rodeia, para tomar decisões. Envolve entender e se fazer entender e permite analisar forças de mudança e incertezas críticas em um horizonte de tempo, imaginando cenários possíveis. “O sensemaking oferece lucidez à liderança.”

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