
Toda empresa pode ter código de conduta, canal de denúncias, controles, treinamentos e sistemas. O verdadeiro teste começa quando seguir a regra parece mais difícil do que alcançar a meta.
Um levantamento da SoftExpert, divulgado pela Você RH, mostra que 40% dos executivos afirmam que suas organizações já enfrentaram impactos relevantes por falhas de compliance. Quase um quarto (23%) afirma que a empresa precisa gerenciar crises dessa natureza de uma a três vezes ao ano. Mais revelador ainda: 41% dos profissionais não sabem dizer se suas companhias já foram afetadas por não conformidades.
A discussão, porém, não se limita à existência de regras ou ferramentas. Entre os principais obstáculos apontados para a evolução do compliance digital estão a baixa cultura digital, citada por 64% dos participantes, e o uso de sistemas desatualizados ou não integrados, mencionado por 62%. Ao mesmo tempo, 58% colocam a melhoria da gestão de riscos entre as prioridades para os próximos anos. Compliance deixa de ser apenas uma questão de controle e passa a ocupar um espaço mais amplo na gestão.
A 6ª Pesquisa de Maturidade de Compliance no Brasil, da KPMG, realizada com 106 organizações, mostra que 56% delas não utilizam metas de compliance como indicadores na avaliação de desempenho. O estudo também aponta, entre os aspectos que podem ser aperfeiçoados, a integração do compliance às práticas de gestão de desempenho e a construção de uma agenda mais estratégica.
Mas existe outra dimensão nessa discussão: a cultura. Uma pesquisa do QualiBest, realizada a pedido do iFood com 1.406 profissionais de empresas com mais de 100 funcionários, mostra como essa dimensão pode ser colocada à prova. Segundo dados divulgados pela Forbes, 41% dos líderes afirmam que já abriram mão de pontos importantes da cultura para atingir metas, enquanto 56% dizem sentir pressão para fazer concessões desse tipo.
A pesquisa não trata especificamente de compliance. Mas coloca uma questão que interessa diretamente à liderança: o que acontece com os princípios da empresa quando a pressão por resultado aumenta?
É fácil defender a integridade quando não há conflito. O desafio aparece quando velocidade, resultado, risco e regra apontam para direções diferentes.
Nesse momento, compliance deixa de ser apenas uma área, um processo ou um conjunto de controles. Passa a revelar como a empresa realmente toma decisões.
E talvez essa seja a pergunta que vale levar para a próxima reunião de liderança: as regras da empresa orientam as decisões — ou aparecem apenas quando a decisão já foi tomada?
Fonte: KPMG, VocêRH e UOL


