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Como ser um líder de alta performance no mundo VUCA?

  Gijs já participou como palestrante na Expogestão nos anos de 2017 e 2018 – neste último, com o tema “O profissional do amanhã – mitos e fatos” Em entrevista…

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Gijs já participou como palestrante na Expogestão nos anos de 2017 e 2018 – neste último, com o tema O profissional do amanhã – mitos e fatos”

Em entrevista exclusiva para o blog da Expogestão, ele aborda os desafios da liderança para construir e manter competitiva uma empresa num mercado em constante movimentação.

Você costuma falar sobre mudanças no mercado de trabalho. O que mudou no perfil da liderança nos últimos tempos?

As competências da liderança, que antigamente eram mais técnicas, estão caminhando mais rapidamente para as softskills, porque o mundo dos negócios, com a tecnologia, muda rapidamente. Ninguém consegue prever que tipo de disrupção pode vir, com quem a empresa vai concorrer, tudo o que está mudando no setor. Hoje a complexidade da liderança é maior e por isso a rapidez e a maneira de resolver problemas, ajustar a estratégia e tomar decisões se tornaram  habilidades muito importantes.

Quais são as principais habilidades que um líder precisa desenvolver para obter alta performance neste contexto de transformação digital?

A ameaça de market share de uma empresa pode vir de vários ângulos, antes isso era muito mais óbvio. Tem os concorrentes no mercado, outros que estão montando negócios para concorrer no segmento que a empresa atua, players internacionais, novas tecnologias. Diante de tantas possibilidades, é preciso dominar o ecossistema de forma ampla, procurando se diferenciar para que a empresa tenha uma defesa maior às disrupções de curto prazo.

Neste cenário, os empresários tornaram-se mais exigentes na contratação, buscando líderes com capacidade de lidar com situações não previstas.

A tecnologia aumenta a produtividade da liderança?

Se você usa os dados que estão disponíveis e alimenta a sua estratégia a partir deles, consegue aumentar a produtividade e o resultado que agrega à companhia.

As pessoas trocam de emprego com mais frequência do que no passado. Quais são as oportunidades e os desafios que a permanência por menos tempo na empresa acarreta para a liderança?

Cada geração reduz o tempo médio de permanência nas empresas. Os jovens têm menos paciência, querem aprender mais, buscam experiências novas com mais frequência. A liderança tem que encontrar formas para que os novos contratados possam agregar valor mais rápido. É preciso investir muito mais em self learning e e-learning do que no classical learning. Também é preciso mudar a estratégia de retenção. O mercado está aquecendo no Brasil e existe a expectativa que ocorra uma guerra por talentos similar a que tivemos em 2007 e 2008. Isso requer uma nova estratégia em relação aos talentos, especialmente de atração.

Uma tendência que você costuma citar no mundo empresarial é o trabalho remoto, executado de qualquer lugar. Como comandar e obter produtividade de uma equipe de profissionais que têm interações cada vez mais digitais e menos presenciais?

Em qualquer trabalho feito à distância, o líder tem que se preocupar muito com a segurança da informação e cuidar para que a empresa   não perca sua identidade.

Pessoalmente, acredito que tem situações em que uma pessoa é produtiva trabalhando com flexibilidade e outras em que a presença física é essencial para se chegar ao melhor resultado. Dar opção às pessoas para a flexibilização aumenta o engajamento e a produtividade. Mas o fato de as equipes trabalharem menos tempo juntas complica a relação entre as pessoas, e as relações bem resolvidas continuam sendo um fator de sucesso para as empresas.

Quais são os conhecimentos do mundo digital que o líder precisa dominar?

Eu não acredito que um líder tem que dominar tudo, mas tem que saber da existência das tecnologias que podem agregar para sua área e atrair os melhores profissionais para traduzir seu uso em novas possibilidades de negócios. É importante ressaltar que a tecnologia tem que aumentar a produtividade, melhorar o suporte, agregar receita ou resolver um problema. Não pode ser implantada sem um objetivo específico.

Que práticas de aquisição de conhecimento você sugere para que o líder se mantenha sempre atualizado?

Acredito que um executivo hoje é como um aplicativo de telefone. Se não for atualizado o tempo inteiro e não agregar valor acaba se tornando obsoleto. Uma boa alternativa são os cursos de curta duração, no Brasil ou no exterior. Também recomendo fazer cursos de áreas diferentes, como tecnologia, para entender melhor as conexões.

Como liderar e motivar equipes com formatos diversos de contratação?

A empresa tem que se comunicar muito bem com todos os seus empregados. O propósito tem que estar claro para todos na companhia e cada um precisa entender a que parte deste propósito agrega. Isso gera engajamento e torna os diferentes formatos de contratação irrelevantes. Aliás, o engajamento de alguém que está por um tempo específico numa empresa pode ser maior do que o de outro que já está desmotivado exercendo as mesmas atividades há muito tempo.

Sobre o desempenho pessoal do líder, que orientações você daria para aliar agenda, saúde, energia e foco?

A primeira coisa é gostar muito do que faz. Disciplina e determinação para alcançar alguma coisa na vida também são muito importantes. Acredito muito no equilíbrio: cuidar da saúde, dormir bem, descansar, ter tempo de qualidade com a família; tudo isso contribui para um alto desempenho na companhia. É muito importante aprender a colocar limites. A vida de um executivo é longa, diferente da de um atleta de alto nível. Por isso é preciso se cuidar tão bem. Também gosto de ressaltar que o líder de alta performance não se cria sozinho; o executivo, com apoio da empresa ou por conta própria, deve buscar ajuda para seu autodesenvolvimento, que será resultado de uma aprendizagem constante.