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Governança corporativa é essencial para a longevidade das empresas

  O painel que fechou o segundo dia da Expogestão 2019 teve um debate enriquecedor sobre o papel da governança corporativa no bom desempenho e longevidade das organizações. Reuniu Divino…

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O painel que fechou o segundo dia da Expogestão 2019 teve um debate enriquecedor sobre o papel da governança corporativa no bom desempenho e longevidade das organizações. Reuniu Divino Sebastião de Souza, CEO do Grupo Algar; Silvana Romagnole, presidente do Conselho de Família da Romagnole S.A.; e Roberto Faldini, cofundador do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa. O debate teve a mediação de Monika Hufenussler Conrads, presidente do Conselho de Administração da Duas Rodas Industrial.

Para abrir o painel, Monika destacou a importância da governança para grandes, médias e pequenas empresas, sejam elas com gestão profissional ou – e principalmente – se forem familiares. Monika Conrads é presidente do Conselho de Administração da Duas Rodas há sete anos. A multinacional brasileira é líder na produção de aromas e ingredientes para a indústria de alimentos e bebidas no país.

A governança corporativa abrange políticas e processos que preparam as empresas para seu crescimento sustentável. Na medida em que a governança corporativa oferece clareza de papeis e responsabilidades em uma organização, faz fluir a ligação entre o interesse dos acionistas e dos demais stakeholders e a execução da estratégia.

Os conselhos, especialmente o de Administração, são a chave nesta ligação entre proprietários e executivos e na efetividade da liderança. Sejam os conselheiros independentes ou mesmo os acionistas, eles são os guardiões da estratégia; asseguram diretrizes aos executivos, de modo a promover o engajamento dos colaboradores, aprimorar a gestão de riscos, gerar melhores resultados operacionais, facilitar o acesso da empresa a capital e aumentar seu valor no mercado.

Divino Sebastião de Souza tem 40 anos de experiência em tecnologia da informação, com sua carreira no Grupo Algar. Falou sobre o grupo, que tem 88 anos de atuação e, nos últimos 12 anos, apresentou um crescimento arrojado, dobrando sua receita líquida, que alcançou a faixa dos R$ 3 bilhões em 2018 e aumentou de 11.600 para 19.000 funcionários.

“A Algar é um grupo antigo, mas não é um grupo velho”, destacou. Mostrou como funciona o sistema de governança corporativo com Conselho de Família, Conselho de Administração e Conselho de Sócios, além dos diversos comitês de apoio. O executivo salientou que a governança precisa ser bem estruturada, afinal os executivos passam, mas a empresa fica.

Silvana Romagnole desenvolveu experiência executiva em gestão de pessoas e marketing, antes de assumir, há uma década, a presidência do Conselho de Família da Romagnole, empresa brasileira provedora de soluções para geração, transmissão de energia e instalações elétricas industriais, que exporta para 31 países.

Membro do Conselho de Administração da empresa há 12 anos, Silvana apresentou a linha histórica de como a empresa se preparou para a Governança Corporativa. Já em 2003, com a implantação do Conselho Consultivo, passou nos anos seguintes pelo processo de sucessão formalizado dos herdeiros, formação do Conselho de Família, Conselho de Acionistas, sempre com foco na perenidade da organização. O atual presidente da Romagnole, Alexandre, passou por um processo de avaliação, junto com outros diretores para ser escolhido pelos integrantes dos conselhos como principal executivo da empresa.

Roberto Faldini é empresário, professor, palestrante e consultor em governança corporativa, sucessão familiar e fusões e aquisições. Foi cofundador do IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa, onde atua em várias comissões. Ele aprendeu desde cedo nas empresas da família e, depois, em suas experiências como empreendedor, com os erros e acertos. E passou algumas dessas lições na Expogestão. “O pior cancro para destruir uma empresa é a própria família, quando essa não pratica os princípios da Governança Corporativa”, afirmou.

Explicou que os pais sonham em ver seus filhos como sucessores naturais, mas nem sempre esses têm a vocação para ser executivos. Alguns podem ser bons acionistas, outros bons no Conselho de Administração e outros em seus próprios negócios ou até atuando em outras empresas. De qualquer forma, é necessário preparar os familiares para entender a realidade do negócio e saber que a empresa é seu patrimônio e tudo deve ser feito para aumentar sua longevidade. Isso passa, certamente, pela governança corporativa.