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Quais são os novos paradoxos da gestão empresarial?

  Luís Lobão, professor, conselheiro e palestrante internacional de Estratégia e Governança, aborda aspectos importantes para o mindset da transformação digital. Em sua palestra na Jornada Expogestão, Luís Lobão iniciou…

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Luís Lobão, professor, conselheiro e palestrante internacional de Estratégia e Governança, aborda aspectos importantes para o mindset da transformação digital.

Em sua palestra na Jornada Expogestão, Luís Lobão iniciou sua reflexão sobre os paradoxos da gestão empresarial expondo o dilema das organizações tradicionais ao se depararem com o modelo de gestão das nativas digitais. “Como não ter hierarquia, mas continuar tendo forte liderança? Ter desempenho individual como algo importante, mas incentivar a colaboração? Ter disciplina, mas também experimentar, fazendo produtos mínimos viáveis? Valorizar alta eficiência e ser intolerante com a falta de performance, mas ter tolerância ao erro bem intencionado?”, questionou.

De acordo com Luís Lobão, é preciso mudar o mindset, reconfigurando o paradigma cientifico da gestão tradicional, baseado no modelo de comando e controle.  “Um dos aspectos mais importantes da transformação digital é usar os ativos digitais para fazer com que as organizações continuem competindo, sem esquecer de mudar o mindset”, destacou Lobão.

Para o especialista em Estratégia e Governança, as empresas precisam sair de um modelo de gestão do comportamento condicionado para um modelo de gestão do comportamento autônomo e isso significa ter equipes preparadas para responder às incertezas com ajustes rápidos.

“Nossas organizações terão de buscar uma vantagem digital. Isso significa ter uma estratégia dinâmica, com uso intensivo da tecnologia”. Conforme Lobão, muitos líderes, hoje, são um problema analógico em organizações que precisam ser digitais. Pesquisas mostram que 80% dos executivos não sabem o que é uma transformação digital.

Outra diferença do novo cenário está no comportamento do consumidor, que se acostumou a ver suas necessidades atendidas on demand. Diante disso, as empresas precisam mudar seu foco no produto para um foco no cliente e sair da ideia de planejamento para produtos mínimos viáveis com a experimentação como lógica. “O grande papel da liderança é entender isto e saber trabalhar com estes dois mundos – o tradicional e o novo – simultaneamente, de forma ambidestra”, diz Lobão.

Na jornada da transformação digital, tecnologia, pessoas e processos  precisam caminhar juntos. O princípio básico é entregar valor ao cliente e garantir experiência a todos os participantes. Não é necessário ter todos os ativos e deve-se focar no uso do algoritmo e na força das comunidades envolvidas.

Segundo Lobão, na bússola da transformação digital, a nova organização deve ser extremamente orientada por um propósito e isso deve dar o Norte para todo o ecossistema criado em torno dela. As equipes devem ser pequenas, autônomas e multifuncionais, para ter mais cadência. Tudo deve ser organizado em rede, criando vantagem colaborativa.

“A transformação digital deveria começar por áreas como vendas, marketing e desenvolvimento de produtos para depois ser implantada no restante da organização”, sugeriu.

Para planejar a transformação digital é preciso investir, primeiro, em condições capacitantes: capacidade analítica, fluência digital, mindset de design thinking e liderança engajadora. O segundo passo é levar em conta os níveis de interação e decisão – que incluem relacionamento com cliente para melhorar sua jornada, atuação em rede e governança corporativa. E o terceiro, envolver processos, que precisam contar com uma cultura ágil e voltada para a inovação, sistema de controle de incentivos e novos modelos de negócios com uso de tecnologia.

“Talvez o modelo de organização do futuro esteja mais próximo de uma banda de jazz. Uma forma musical surgida no nosso século, caracterizada pela utilização de escalas africanas com harmonias europeias (diversidade), pela pequena ou quase nenhuma importância do maestro, equipes pequenas, pela produção de uma música marcada pela existência de padrões, mas com enorme espaço para a improvisação individual e coletiva, pela valorização dos músicos e principalmente pelo prazer da execução”, concluiu Lobão.

A apresentação utilizada por Lobão está disponível em nosso perfil do SlideShare. Acesse clicando aqui!

Assista ao vídeo de Luis Lobão na Jornada de Conhecimento 2019.