
Chegar ao C-level exige repertório. Visão de negócio, pensamento estratégico, capacidade de decisão, liderança e experiência para lidar com cenários cada vez mais complexos.
Mas, quando se olha para quem efetivamente ocupa esses espaços, surge uma pergunta importante: o caminho até o topo está realmente aberto?
Segundo dados da Fortune Global 500, edição 2026, mulheres ocupam a posição de CEO em apenas 34 das 500 maiores empresas do mundo, o equivalente a 6,8% do total. É um recorde no ranking, mas ainda revela uma presença feminina restrita nos níveis mais altos da liderança empresarial global.
A discussão sobre como ampliar essa presença passa também pela capacitação. A Exame aborda justamente esse ponto e destaca a qualificação como um dos caminhos para mulheres avançarem até posições de liderança. A publicação também chama atenção para um gargalo que aparece cedo: na primeira década de carreira, para cada mulher que chega a uma posição de liderança, quase o dobro de homens alcança o mesmo estágio.
E capacitação, de fato, importa. Mas o desenvolvimento de carreira não acontece apenas em uma sala de aula. As competências exigidas para o C-level incluem gestão de mudanças, experiência de setor, tomada de decisão, pensamento estratégico e capacidade de antecipar cenários.
Na prática, esse repertório também é construído quando alguém recebe um projeto estratégico, participa de decisões relevantes, tem acesso a lideranças, constrói uma rede de relacionamentos, encontra mentores e é lembrado quando surge uma oportunidade.
É aí que a discussão fica maior do que o treinamento. Se determinadas experiências ajudam a preparar alguém para o C-level, quem tem acesso a elas?
Talvez a pergunta não seja apenas “como preparar mais mulheres para chegar ao topo?”, mas também “como as organizações estão criando oportunidades para que esses talentos desenvolvam o repertório necessário para chegar lá?”
Capacitação pode abrir portas. Mas quem controla as chaves?
Fonte: Exame e Fortune


