
Tempo médio no comando financeiro caiu para 4,5 anos no país
Os cargos de CFO nunca trocaram de mãos tão rápido. O Índice Global de Rotatividade de CFO, da Russell Reynolds Associates, mostra que 2025 teve o maior volume de trocas na chefia financeira desde o início da série histórica — 12% acima da média dos últimos sete anos e 10% a mais que em 2024.
Por trás do movimento está a mudança no que se espera do cargo. O CFO passou a responder por responsabilidades mais amplas, em cenário de mercados voláteis, empresas em transformação constante e conselhos mais atentos à liderança financeira — o que pressiona por resultados rápidos logo na chegada do executivo.
O Brasil não foge do padrão: 40% das cadeiras de CFO no país mudaram de ocupante no período, percentual que os pesquisadores classificam como estrutural, não pontual. A permanência média também é menor por aqui — quatro anos e meio, ante seis anos e meio no comparativo global. Sete em cada dez CFOs brasileiros deixam o posto antes de completar cinco anos, e só 12% ultrapassam uma década na função.
A experiência virou moeda de troca na contratação. Apesar de 57% dos novos CFOs estarem estreando no cargo, a demanda por profissionais que já passaram pela posição cresceu 7,5% na comparação anual — recorde da série. No Brasil, essa exigência é ainda mais forte: 65% dos nomeados já haviam sido CFO antes.
O motivo mais comum de saída segue sendo a aposentadoria, presente em 60% das transições globais — dez pontos a mais que em 2024. No Brasil, a função também funciona como trampolim: 13% das trocas resultaram em promoção do CFO ao posto máximo da companhia.
Sócio-diretor e líder da prática de finanças da Russell Reynolds Associates, Fernando Machado explica que o CFO deixou de responder só pelas finanças e passou a articular estratégia, transformação, conselho e investidores. Isso acelera as trocas de comando e eleva a demanda por nomes que já inspiram confiança rapidamente — o que torna a sucessão pauta permanente de governança, não um problema a resolver só quando a cadeira fica vazia.
Menos mulheres no comando
No Brasil, a desigualdade de gênero no comando financeiro é maior que a média mundial: mulheres ocupam só 14% das cadeiras de CFO no Novo Mercado, metade da proporção global. No cenário internacional, o total de CFOs mulheres cresceu — mais executivas assumiram o cargo do que saíram —, mas a fatia de novas nomeações femininas em 2025 caiu para 21%, 23% abaixo do ano anterior.
Consultora da Russell Reynolds Associates, Tatiana Mereb defende que o problema não se resolve só no momento da sucessão: exige investimento contínuo na formação de mulheres para funções estratégicas, com desenvolvimento real ao longo da carreira e ambientes que garantam retenção e visibilidade.
Com trocas cada vez mais frequentes, especialistas recomendam que a sucessão seja tratada como processo contínuo, com candidatos mapeados com antecedência para reduzir o tempo de adaptação de quem assume.
Fonte: Você RH


