SAVE THE DATE

08 A 10 DE JUNHO DE 2027

20/08/2026

O dado está na nuvem. Mas ele está perto o suficiente?

A distância entre um dado e quem precisa acessá-lo pode definir a qualidade de uma experiência tecnológica. Em um mundo cada vez mais conectado, pode parecer que a geografia deveria importar pouco. Mas, quando milissegundos fazem diferença, ela volta a entrar em cena — e se torna um desafio para operações que exigem velocidade, estabilidade e respostas em tempo real.

Foi a partir dessa provocação que Ary Camilo de Oliveira Neto, diretor de TI, Processos e Inovação da Brasil Tech Park, conduziu uma das palestras do segundo dia da ExpoGestão. Com experiência nos setores de telecomunicações e bancário, além de atuação em ambientes de missão crítica, Ary Camilo falou sobre cloud, conectividade, latência, data centers e a ascensão do edge computing.

O tema ganha ainda mais relevância com o avanço da inteligência artificial, da automação e dos equipamentos autônomos. Quanto mais aplicações dependem de processamento em tempo real, maior é a necessidade de infraestrutura capaz de responder com velocidade e estabilidade.

Quando o tamanho do país pesa

O palestrante destacou uma particularidade brasileira: as dimensões continentais e a concentração dos data centers. Enquanto os Estados Unidos possuem cerca de 4,2 mil data centers distribuídos pelo território, o Brasil tem pouco mais de 200, com forte concentração no eixo Rio-São Paulo.

Na prática, a distância física pode se transformar em latência — o tempo necessário para os dados percorrerem a rede. E, em determinadas aplicações, alguns milissegundos fazem toda a diferença.

Na automação industrial, atrasos podem comprometer processos. Em aplicações bancárias e no comércio eletrônico, podem afetar a experiência do usuário e resultar em transações abandonadas. Na telemedicina e em procedimentos cirúrgicos remotos, a exigência é ainda maior.

Ari citou como exemplo a distância entre Cuiabá e São Paulo, de cerca de 1,5 mil quilômetros em linha reta. Mesmo considerando apenas a velocidade da luz e uma situação ideal, o sinal levaria cerca de seis milissegundos para percorrer o trajeto. Na prática, roteadores, switches e outros elementos tornam o tempo ainda maior. “Latência não é mais apenas um indicador técnico. Agora é um indicador de experiência de uso”, destacou.

Um modelo híbrido

Para o executivo, a resposta não está em escolher entre nuvem pública, infraestrutura própria ou edge computing. O caminho é combinar as três possibilidades conforme a necessidade de cada aplicação.

A nuvem pública oferece escala para demandas que exigem grande capacidade computacional, como o treinamento de modelos de inteligência artificial. Aplicações críticas podem se beneficiar de estruturas on-premises, enquanto o edge aproxima o processamento do usuário e ganha espaço em cenários como indústria 4.0, cidades inteligentes e veículos autônomos. Essa arquitetura híbrida é especialmente estratégica para um país de dimensões continentais.

Ary Camilo reforçou que as empresas precisam pensar na infraestrutura com a mesma atenção dedicada à experiência do cliente.

Afinal, em um cenário no qual poucos milissegundos podem representar uma venda perdida, uma operação menos eficiente ou uma decisão que chega tarde demais, estar conectado já não é suficiente. É preciso estar perto, ser rápido e resiliente.

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