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08 A 10 DE JUNHO DE 2027

10/09/2026

Saúde figital: o que muda quando o físico e o digital se encontram no cuidado


Há um termo novo circulando entre especialistas em saúde: figital. A palavra une o que é físico e o que é digital em um único conceito e, embora ainda esteja sendo incorporada aos dicionários da língua portuguesa, já descreve práticas presentes no dia a dia de hospitais, clínicas e pacientes.

Dados que não conversam entre si

Um dos temas mais discutidos no Conecta Saúde 2026 foi a dificuldade de integrar informações dentro do sistema de saúde. Mesmo com a digitalização avançando, ainda é comum encontrar exames guardados apenas em papel, prontuários que não dialogam entre plataformas e hospitais públicos incapazes de trocar dados com a rede privada.

Essa desconexão, segundo especialistas presentes no evento, não é apenas tecnológica: reflete também uma falta de comunicação entre médicos, pacientes e a própria indústria da saúde. O resultado é uma oferta de cuidados desalinhada com a demanda real — e a solução passa por unificar bases de dados e adotar plataformas capazes de conectar essas pontas.

Carlos Carvalho, médico que participou do evento, cita um exemplo dentro de uma das maiores instituições de saúde do país: o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HCFMUSP) opera com três plataformas distintas de monitoramento de pacientes, sem integração entre elas. Em escala nacional, esse tipo de fragmentação se multiplica.

Há ainda outro ponto levantado por Carvalho: quando os dados eletrônicos de pacientes estão organizados e acessíveis, torna-se possível treinar inteligência artificial preditiva com base no perfil real da população brasileira. Ele observa que grande parte das IAs generativas hoje disponíveis foi construída a partir de dados de populações menos miscigenadas, como a chinesa e a norte-americana, reforçando a necessidade de bases próprias e integradas.

O papel dos wearables na prevenção

Se a integração de dados ainda é um desafio, o uso de tecnologia para prevenção já avança de forma mais concreta. Dispositivos como Galaxy Fit, Apple Watch e outros relógios inteligentes acompanham batimentos cardíacos, passos diários e qualidade do sono, informações que ajudam a construir um retrato contínuo da saúde de quem os usa.

Esse acompanhamento constante tem efeito direto sobre os custos do sistema de saúde. Monitorar indicadores como glicemia e pressão arterial permite identificar riscos antes que se tornem complicações graves ou internações — muitas vezes evitáveis com intervenção precoce.

Para especialistas do setor, esse é o verdadeiro diferencial do modelo figital: antecipar problemas de saúde em vez de apenas reagir a eles. Um simples dispositivo no pulso já oferece um panorama do bem-estar do usuário, permitindo decisões mais rápidas sobre quando procurar atendimento médico.

O evento por trás da discussão

O Conecta Saúde é promovido pelo Serviço Social da Indústria (SESI) e pelo Conselho Nacional do SESI (CN-SESI), com apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP). Em sua segunda edição, o evento reuniu mais de 500 participantes, entre lideranças empresariais, gestores públicos e especialistas, para discutir os caminhos da atenção integral e da inovação no cuidado à saúde.

Fonte: Portal da Indústria

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