
Durante anos, o trabalho remoto foi apresentado como uma das grandes transformações trazidas pela tecnologia. Se é possível trabalhar de qualquer lugar, por que continuar indo ao escritório? A pergunta parecia apontar para uma resposta inevitável.Mas um dado sobre a Geração Z muda essa história. Segundo pesquisa da Gallup, 71% dos profissionais da Geração Z preferem o modelo híbrido. Apenas 23% escolheriam trabalhar exclusivamente à distância, enquanto 6% preferem o modelo totalmente presencial. Entre Millennials, Geração X e Baby Boomers, a preferência pelo híbrido também é majoritária.
O que a distância não resolve
A tecnologia tornou possível trabalhar de praticamente qualquer lugar. Mas a possibilidade de estar distante não elimina necessariamente a necessidade de conexão.
Os dados sobre a experiência de trabalho reforçam a complexidade da discussão. Segundo a FIESC, com base na pesquisa da Gallup, trabalhadores totalmente remotos relatam com maior frequência sentimentos como raiva, tristeza e solidão. O nível elevado de estresse relacionado ao trabalho foi de 45% nesse grupo, contra 39% entre trabalhadores presenciais e 46% entre híbridos. Os dados mostram uma associação entre os formatos de trabalho e as experiências relatadas, mas não permitem afirmar que um formato seja a causa desses sentimentos.
Para as empresas, talvez a discussão mais interessante não esteja em definir quantos dias por semana alguém deve estar no escritório. Está em decidir o que merece ser presencial.
Se o trabalho pode acontecer de qualquer lugar, talvez a questão seja outra: o que precisa acontecer presencialmente — e o que pode continuar acontecendo à distância?
O desafio não é escolher entre casa e escritório. É dar propósito a cada um.


