
Em um mundo em que a informação chega em tempo real, por dezenas de canais e em diferentes formatos, executivos ainda parecem fazer uma escolha bastante tradicional quando precisam entender o que está acontecendo: procuram fontes nas quais confiam.
É o que mostra a segunda edição da pesquisa “Hábitos de consumo de informação do C-Level no Brasil”, realizada pela InPress Porter Novelli em parceria com o Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD). O levantamento ouviu 107 executivos em cargos de direção, vice-presidência e presidência, de 13 setores da economia. Noventa por cento trabalham em empresas de grande porte.
O estudo revela uma mudança interessante no comportamento desse público. Jornais impressos e podcasts ganharam espaço nos últimos cinco anos, enquanto aplicativos de mensagens perderam relevância como fonte de informação.
Os sites e portais de notícias continuam na liderança como fonte de informação geral, citados por 64% dos entrevistados. Mas os jornais impressos avançaram 12 pontos percentuais em relação a 2021, chegando a 22%. Os podcasts também tiveram crescimento expressivo: passaram de 3% para 17%, o maior avanço entre as mídias avaliadas.
Para Lúcia Calasso, vice-presidente de atendimento da InPress Porter Novelli, a explicação passa pela busca por credibilidade. “Enquanto as redes sociais trazem flashes do noticiário e funcionam como um monitoramento, a mídia tradicional chancela a credibilidade daquela informação”, afirma.
A mesma lógica aparece no uso da inteligência artificial. Entre os entrevistados que trabalham com IA, 28% utilizam essas ferramentas para se informar. Mas, segundo Calasso, quando o assunto é notícia, eles costumam procurar a fonte original ou veículos reconhecidos para confirmar o conteúdo.
É um comportamento que diz muito sobre a tomada de decisão no ambiente corporativo
Receber informação rapidamente é importante, mas confiar nela é ainda mais. Entre os jornais impressos favoritos, o Valor aparece com 63% das citações, quase o dobro do registrado na pesquisa de 2021, quando tinha 32%. Estadão, Folha de S.Paulo e O Globo aparecem na sequência.
O destaque se repete quando a pergunta é sobre os veículos mais relevantes para os setores de atuação dos executivos. Metade dos entrevistados citou o Valor pelo menos uma vez.
Quando o assunto é especificamente economia e negócios, a liderança é ainda mais expressiva: 75% dos executivos apontaram o Valor, seguido por Brazil Journal, com 12%, e Exame, com 9%. O veículo foi o mais citado nos 13 setores pesquisados.
Para Calasso, a preferência está relacionada à profundidade da informação. “O C-level usa a informação para tomar decisões de negócios. Então ele se pergunta: em qual veículo eu mais confio?”, explica.
A pesquisa mostra também que os executivos não abandonaram as redes sociais. Entre os que as utilizam para se informar, 82% recorrem ao LinkedIn e 70% ao Instagram. O desafio parece estar menos na escolha entre mídia tradicional e digital e mais na combinação entre velocidade e confiabilidade.
Informação em diferentes formatos
O levantamento reforça que não existe mais uma única porta de entrada para a informação. Um executivo pode descobrir um assunto nas redes sociais, ouvir uma análise em um podcast, consultar uma newsletter e, antes de tomar uma decisão, buscar uma reportagem aprofundada.
O podcast é um dos formatos que melhor traduz essa mudança. Os entrevistados citaram 93 programas diferentes. “O Assunto”, do g1, e “Café da Manhã”, da Folha de S.Paulo, lideram, com 10% das citações cada. Podcasts da CBN e do Market Makers aparecem na sequência, com 7%.
Na televisão, a GloboNews lidera entre os telejornais, com 45% das citações, seguida pela CNN, com 38%, e pelo Jornal Nacional, com 22%. A CBN mantém a liderança entre as rádios de notícias, com 54%.
Para Max Stabile, diretor-executivo do IBPAD, a própria forma como os executivos responderam à pesquisa revela a transformação do ecossistema de informação. As fronteiras entre veículos, programas, plataformas e redes sociais estão cada vez mais fluidas.
No fim, o dado mais relevante talvez não esteja em qual canal venceu cada categoria, mas no comportamento que aparece por trás dos números. Em meio ao excesso de informação, o C-level parece buscar menos volume e mais capacidade de separar sinal de ruído.
Fonte: InPress Porter Novelli / Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados (IBPAD) / Valor Econômico


