
Se uma empresa precisa de jornadas mais longas para entregar resultados, vale perguntar: o problema está no tempo disponível ou na forma como o trabalho foi organizado?
O fim da escala 6×1 torna essa reflexão ainda mais urgente. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) aprovada pelo Senado prevê dois dias de descanso remunerado por semana e a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial. O texto segue para promulgação.
Para as lideranças, o desafio vai além de ajustar escalas. Exige identificar gargalos, rever processos e distinguir atividades que geram valor daquelas que apenas consomem tempo. Em operações que dependem de atendimento contínuo, também será necessário avaliar a distribuição das equipes, os custos e os impactos sobre a experiência do cliente.
Reduzir a jornada não garante, por si só, ganhos de produtividade.
O resultado dependerá das decisões tomadas, das características de cada operação e da capacidade de transformar prioridades em processos mais eficientes.
É nesse ponto que a discussão deixa de ser exclusivamente trabalhista e passa a ser estratégica. Rever a organização do trabalho exige que a liderança questione práticas consolidadas, em vez de apenas adaptar a rotina para preservar o modelo existente.
A mudança coloca uma questão para os negócios: as empresas estão preparadas para rever como trabalham ou apenas tentando fazer caber o mesmo modelo em menos horas?
Fonte: G1


