
Situação é enfrentada por mais de 6 mil negócios de diferentes portes e representa uma alta de 66% nos últimos três anos
O número de empresas brasileiras em recuperação judicial atingiu um patamar recorde. Somente no primeiro semestre de 2026, 6.341 negócios estavam com processos ativos, volume 66% superior ao registrado três anos antes, segundo levantamento da consultoria RGF-BizDoc.
Os números revelam um cenário que exige atenção das lideranças. Além do crescimento dos pedidos, a recuperação das empresas que recorrem ao instrumento está longe de ser garantida. Entre os processos já encerrados, apenas uma em cada quatro empresas consegue voltar a operar por conta própria. Nos demais casos, a Justiça decreta a falência. A recuperação judicial é um processo de longo prazo, com duração média de quatro anos e meio.
Recuperação judicial chega às pequenas empresas
Outra mudança importante está no perfil dos negócios que recorrem ao instrumento. Se no passado a recuperação judicial estava mais associada a médias e grandes companhias, atualmente micro e pequenas empresas lideram os pedidos.
Para esses negócios, o desafio tende a ser ainda maior. Empresas de menor porte geralmente dispõem de menos recursos financeiros e de uma estrutura mais enxuta para enfrentar anos de tramitação e arcar com os custos de advogados especializados, consultorias e administradores judiciais.
Juros elevados aumentam a pressão
O ambiente macroeconômico ajuda a explicar parte desse movimento. Empresas que já enfrentam endividamento precisam administrar suas obrigações em um cenário de crédito mais caro, o que reduz a capacidade de reorganizar o caixa e alongar dívidas.
Planos de recuperação judicial são estruturados a partir de projeções de receitas, despesas e custo do dinheiro para períodos que podem se estender por vários anos. Quando as condições econômicas mudam significativamente, premissas utilizadas na elaboração desses planos também podem deixar de refletir a realidade.
Antecipar decisões pode fazer diferença
O momento em que a empresa decide enfrentar suas dificuldades financeiras pode influenciar os caminhos disponíveis para a recuperação.
Negociar com credores antes de protocolar um pedido judicial, conhecer detalhadamente a situação do caixa, mapear dívidas e construir um plano de reestruturação são medidas que podem ampliar a margem de manobra do negócio.
Para as lideranças, o recorde de recuperações judiciais reforça uma questão essencial: quanto mais cedo uma empresa reconhece os sinais de desequilíbrio, maiores tendem a ser as alternativas disponíveis para enfrentar o problema.
Fonte: Bloomberg


