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24/07/2026

A crise que ensinou eficiência operacional no varejo

O cliente não vê centro de distribuição, negociação com fornecedor ou controle de estoque, mas sente no bolso quando essa engrenagem funciona mal, afirmou Alexandre Quadros, diretor-geral do Grupo Koch, em palestra na ExpoGestão sobre eficiência operacional no varejo.

O que quebra empresa não é falta de lucro, é falta de caixa

Quadros apontou 2015 como o ano que mudou a companhia. Em meio a investimentos pesados em novas lojas e um centro de distribuição, o caixa da empresa praticamente desapareceu. A lição que ficou foi que gestão de capital de giro, e não lucro no papel, é o que sustenta uma operação de varejo no dia a dia. A partir dali, a empresa passou a renegociar prazo de pagamento com cada fornecedor em troca de reduzir estoque parado nas lojas.

Alugar em vez de construir

Até a décima segunda, décima terceira ou décima quarta loja, o grupo comprava terreno e construía do zero. Depois da crise, a lógica mudou: em vez de investir todo o capital em uma única loja própria, a empresa passou a alugar pontos prontos, o que permitiu abrir várias unidades com o mesmo volume de investimento. Para Quadros, o negócio da empresa é comprar, distribuir e vender mercadoria, não imobiliário.

Copiar quem faz melhor

Uma das decisões que Quadros classificou como mais rentáveis foi visitar redes maiores, no Brasil e no exterior, para estudar e replicar práticas. Ele citou uma imersão de cerca de dez dias em redes de supermercado alemãs com mais de 20 mil lojas para entender logística, abastecimento e indicadores de gestão. Nem tudo era aplicável à realidade da empresa, mas o que dava, foi implementado.

Ainda durante a reestruturação de 2015, a empresa implementou metas mensais para todas as áreas, vinculadas a remuneração variável paga também mensalmente. Segundo Quadros, essa mudança ajudou os funcionários a perceberem que o esforço individual estava diretamente conectado ao resultado da companhia.

Sem espaço para erro

Quadros descreveu o modelo de precificação atual do setor: o preço de venda não é mais definido pelo custo da operação mais uma margem desejada, e sim pelo que o mercado já pratica. Com a margem definida por fora, o único espaço de manobra da empresa está na despesa. Em um negócio de margem apertada como o supermercado, segundo ele, não sobra espaço para desperdício ou erro de gestão.

Tecnologia aplicada com estratégia

A empresa tem investido em automação de logística e em checkouts híbridos e de autoatendimento, motivada também pela dificuldade de contratar em um estado com taxa de desemprego baixa. Quadros defendeu testar essas soluções em poucas lojas antes de expandir, resumindo a filosofia em uma frase: errar rápido e barato, para não comprometer o caixa com uma aposta grande que não funcione.

Para fechar, Quadros usou uma imagem para explicar por que a disciplina de planejamento de longo prazo virou rotina na empresa: uma engrenagem cresce na velocidade do ponto mais lento. O grupo estruturou seu primeiro planejamento estratégico de longo prazo em 2018, com visão de quatro anos revisada todo ano, e agora está migrando para revisões a cada seis meses, para não deixar que decisões de curto prazo comprometam o crescimento.

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