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03/06/2026

Antes da IA, pessoas e processos: o que falta na operação da maioria das empresas

Desenvolvedor e fundador da Vitalis, Leonardo Luz usou a ExpoGestão 2026 para desmistificar a inteligência artificial e defender que empresa sem processo estruturado só escala o caos

Leonardo Luz abriu a palestra com uma provocação. “IA é uma ferramenta, como tantas outras. Todo mundo tem acesso, quase ninguém sabe aplicar”, disse o fundador da Vitalis, venture building paulistana que desenvolve startups. “Eu não vim aqui para mentir para você.”

O argumento central da apresentação foi direto: antes de contratar qualquer ferramenta tecnológica, a empresa precisa entender como funciona sua própria operação. E a maioria não entende.

“Você quer aplicar IA em uma operação que você nunca parou para entender. Você não mapeou onde o seu negócio trava. Você não sabe o que o seu time faz no dia a dia. Você não tem processo — tem improviso virando hábito”, afirmou. “IA em cima de caos não vira solução. Vira caos mais caro.”

As quatro fases

Leonardo propôs um modelo simples, que chamou de as quatro fases de toda empresa, e defendeu que pular etapas sai caro — pular três custa a empresa.

A primeira é pessoas. Antes de qualquer ferramenta, é preciso entender quem trabalha na operação, quem decide, quem entrega, quem o negócio quer atrair. A segunda é processos — mapear como o serviço de fato acontece, onde o dinheiro vaza, onde o cliente desiste, onde o time improvisa. A terceira é a tecnologia, que inclui a inteligência artificial. E a quarta, só então, é a escala.

“Existem gigantes do Brasil faturando nove dígitos sem nunca ter tocado em IA”, disse. “Eles entendem de pessoas e de processos. Antes da tecnologia, antes da escala, sem exceção.”

Para ilustrar, Leonardo comparou a estrutura de um bom funcionário com a de um agente de IA. Contratar uma pessoa exige definir o problema que ela vai resolver, desenhar o perfil ideal, recrutar, treinar e supervisionar antes de dar autonomia. “Com a IA é a mesma lógica. Se você não tem um playbook de atendimento e não embarca isso nela, está diante de um funcionário desgovernado — que tem custo zero, mas pode quebrar a sua empresa.”

Da periferia ao ecossistema

Ao longo da palestra, Leonardo contou a própria trajetória para dar concretude ao argumento. Criado na periferia de São Paulo, aprendeu a programar sem recursos e começou vendendo soluções para barbeiros do bairro, cobrando 10% do que gerasse a mais para o cliente.

“Eu precisei entender pessoas antes de escrever uma linha de código. O meu barbeiro tinha dois problemas: queria vender mais e queria diminuir custo. Eu consigo fazer isso com tecnologia, mas também com playbook, com cultura, com diversas ferramentas.”

Com esse raciocínio, Leonardo afirma ter chegado ao modelo que orienta a Vitalis hoje: resolver um problema interno, transformar essa solução em um produto separado — o que ele chama de motor dois — e construir um ecossistema em torno do negócio principal. Um dos exemplos citados foi a Vitalmark, startup do grupo que automatiza o registro de marcas no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) por R$ 99,90.

“Quando você resolve o seu problema, você tem uma arma na mão. O problema que você enfrenta na sua operação é uma solução que pode escalar para todo o mercado em que você atua”, disse. “Ao invés de focar só em faturamento, você pode focar em resolver o problema do seu setor.”

Como usar a IA, quando fizer sentido

Na parte técnica da apresentação, Leonardo explicou como estruturar um prompt de forma eficaz: dar uma identidade à IA, definir uma tarefa clara e apresentar o problema específico. “Se você fizer uma pergunta genérica, ela delira. Se você der identidade, tarefa e contexto, ela não delira.”

Mas insistiu que o ponto mais importante não é a ferramenta — é a pergunta que antecede o uso dela. “Aplique IA quando faz sentido. Não quando o concorrente posta no LinkedIn. Não quando você vem a uma feira de tecnologia e vê todo mundo falando sobre isso.”

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