
Altair Toledo, sócio fundador da ToledoZanardo, trouxe orientações sobre os efeitos da nova tributação.
Palestrante da ExpoGestão, o tributarista Altair Toledo afirmou que a Reforma Tributária do Consumo vai reduzir impostos da indústria e aumentar os dos serviços, encarecendo hotéis, planos de saúde e educação para o consumidor final.
Sócio fundador da ToledoZanardo Estratégia Tributária e ex-sócio da KPMG, onde atuou de 1997 a 2025, Toledo apresentou a palestra “Como a Reforma Tributária do Consumo vai impactar a formação de preços” na ExpoGestão.
Segundo o tributarista, a reforma busca neutralidade de carga tributária: o que a indústria perder de imposto, o setor de serviços ganha. Toledo disse que a redução de imposto sobre um produto não significa, necessariamente, redução de preço, e que o resultado mais provável é inflação. “Todos nós pagaremos a conta da reforma”, afirmou.
Ele explicou que, nas relações entre empresas (B2B), o efeito é menor, porque o cliente toma crédito do imposto pago pelo fornecedor. O problema aparece na ponta do consumidor final, que não aproveita esse crédito — caso de hóspedes de hotel, beneficiários de planos de saúde e passageiros de avião.
Em um exemplo apresentado por Toledo, um produto industrial com preço de R$ 100 sem impostos custa hoje R$ 133 com tributos, considerando 17% de ICMS. Pela nova regra, com uma alíquota combinada estimada em 28% entre CBS e IBS, esse preço cairia para R$ 128.
Em serviços, o efeito é oposto. No exemplo da própria empresa de Toledo, tributada hoje pelo regime do lucro presumido, um serviço cobrado por R$ 109 passaria a custar R$ 128 — aumento de R$ 19, cerca de 17%.
Toledo também alertou compradores para outra mudança. Hoje, comprar de fornecedores no lucro presumido ou no Simples Nacional costuma trazer vantagem tributária, porque o comprador toma crédito maior do que o imposto embutido pelo fornecedor. Depois da reforma, esse mecanismo desaparece, já que todos os regimes passam a gerar crédito integral. Segundo o especialista, fornecedores com pouco insumo a creditar — geralmente prestadores de serviço intensivos em mão de obra — tendem a perder competitividade e precisarão renegociar preços com seus clientes.
A cobrança plena da reforma começa em janeiro de 2027. Entre 2027 e 2028 entram em vigor a CBS e o Imposto Seletivo; a partir de 2029, começa a transição do ICMS e do ISS para o IBS, com conclusão prevista para 2033. A Constituição que instituiu a reforma foi aprovada em 2023, a lei complementar em 2024, e o regulamento saiu em 2026, quando teve início uma cobrança simbólica dos novos tributos.
Toledo recomendou que as empresas revisem contratos com fornecedores e avaliem o regime tributário de cada um antes do início da cobrança plena, já que o prazo de preparação é curto.


