BLOG

09/06/2026

Como a IA está redesenhando o mercado e por que isso muda tudo na sua empresa

Quatro segundos. Oitocentas linhas de código. Foi esse o cenário que o filho de Miguel Rivero Neto mostrou ao pai numa tarde de fim de semana, digitando alguns comandos em linguagem natural no Cursor, uma ferramenta de codificação com inteligência artificial. A cena virou o gancho da palestra que Rivero Neto apresentou na ExpoGestão 2026, em Joinville, para defender uma tese provocadora: o jogo das empresas de tecnologia mudou — e quem não perceber vai ficar para trás.

Rivero Neto é diretor de Estratégia e Novos Negócios na AltoQi, CEO da Bilds.com e professor da Fundação Fritz Müller. Na sua visão, o mercado está em uma virada de paradigma: saindo da fase do copiloto — em que a IA auxilia o humano a trabalhar melhor — para a fase do autopiloto, em que a máquina executa o trabalho do início ao fim.

“A gente está entrando no momento da delegação completa”, disse. “Não é mais apoio. É o paradigma de executar o trabalho final.” Para ilustrar o conceito, ele usou a analogia do carro autônomo. A primeira vez que alguém anda num veículo sem motorista no Vale do Silício, a sensação é de insegurança. Depois de alguns minutos, o passageiro percebe que funciona — e aprende a confiar. “Nas empresas vai ser cada vez mais assim”, afirmou. “A gente vai escalar com inteligência.”

A virada estratégica

Um dos pontos centrais da palestra foi a distinção entre o orçamento de tecnologia e o orçamento operacional das empresas. Segundo Rivero Neto, do total de gastos de uma operação, apenas 15% são destinados à tecnologia propriamente dita, enquanto os outros 85% são consumidos por pessoas e serviços terceirizados para operar esses mesmos sistemas. “As empresas de tecnologia ficam batendo na porta do gerente de TI. Mas o orçamento real está em outro lugar”, disse.

Ele citou o caso de uma startup de Florianópolis que tentava vender um serviço de conciliação financeira para uma multinacional. A equipe de vendas batia no CIO — que respondia que o orçamento de TI estava cortado. A virada veio quando foram falar com o CFO: “Eu sei que você gasta tanto para rodar esse serviço. Eu consigo fazer por 20% desse valor.

O piloto funcionou e o contrato foi ampliado. O detalhe: internamente na startup, o serviço era executado por uma IA, e não por uma grande estrutura humana. “Todo dia o sistema rodava e, toda sexta-feira às 17 horas, a conciliação estava pronta. Resolveu um problema de negócio, falando com quem tinha o problema de negócio”, explicou Rivero Neto.

Wedge strategy

A partir desse exemplo, ele descreveu a estratégia da cunha — ou wedge strategy, do inglês. A lógica é simples: em vez de tentar vender software para a área de TI, as empresas mais agressivas entram prestando um serviço a um custo menor do que o praticado hoje. Ganham confiança, assumem o processo, dominam o workflow e se tornam difíceis de substituir.

“Por fora, parece um BPO, um serviço terceirizado. Por dentro, é puro software, IA e escala infinita”, resumiu. Serviço autônomo.
Ele apresentou exemplos de empresas que já operam nesse modelo: a Harvey, no setor jurídico, que realiza pesquisas 20% mais rápido e 90% mais barato; plataformas de contabilidade autônoma que fecham balancetes de 10 a 30 minutos; e ferramentas de recrutamento que entregam o candidato ideal direto na agenda do gestor. “São empresas que estão disputando o orçamento de pessoas e de serviços, não o de software.”

Reflexão

Rivero Neto encerrou com três perguntas para que os participantes levassem para as suas empresas. A primeira: “Minha empresa vende martelo ou entrega o prego batido?” A segunda: “O meu negócio gera valor de julgamento, de inteligência — ou vende padronização?” A terceira: “Estou entregando produtividade ou autonomia?”

“Empresas que vendem padronização, commodities, vão ser substituídas logo. Quem ganha o jogo é quem vai com IA, em alta escala, entregando o melhor workflow para o cliente final”, finaliza.

Não deixe de ler também:

O que o mercado imobiliário tem a ensinar sobre gerir a longo prazo

09/06/2026

O que o mercado imobiliário tem a ensinar sobre gerir a longo prazo

Marcas que transformam: cinco vetores para decidir o futuro do seu negócio até 2030

03/06/2026

Marcas que transformam: cinco vetores para decidir o futuro do seu negócio até 2030

BAIXE O NOVO APLICATIVO

Fique por dentro da ExpoGestão

App ExpoGestão