
Empresas que deixam engenharia, vendas e custos operarem em sistemas isolados pagam o preço em decisões tomadas com dados já desatualizados, afirmaram Sabrina Cristine Borges, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento, e Cíntia Medeiros Bastiani, gerente sênior de TI, Inteligência Artificial e Data Governance, ambas da Nidec.
Do mapa de papel ao Waze
Cíntia usou uma analogia para explicar o problema: antes do projeto, um engenheiro levava cerca de seis dias processando planilhas para analisar o portfólio de uma única plataforma de produto, e o dado já estava obsoleto quando a análise ficava pronta. Era como planejar uma viagem com mapa de papel, sem saber se havia trânsito ou acidente no caminho. A meta virou transformar essa informação estática em algo vivo, como um aplicativo de trânsito em tempo real.
O primeiro passo não foi automação, foi governança. A Nidec unificou dados de engenharia (PLM), custos e vendas (SAP e forecast) em um único ambiente na nuvem, para que qualquer área usasse a mesma referência de número. Antes, times diferentes podiam levar para uma mesma reunião custos diferentes para a mesma família de produto, porque cada um consultava uma fonte própria.
Resistir à tentação de fazer tudo de uma vez
Assim que as áreas de negócio tiveram acesso aos dados organizados, o apetite por novas funcionalidades cresceu rápido demais. Cíntia relatou que precisou conter a própria equipe para entregar uma primeira versão funcional antes de acumular pedidos, sob risco de o projeto nunca sair do papel.
Ensinar o agente como se ensina um estagiário
Ao criar agentes de IA para responder perguntas sobre o portfólio, a equipe descobriu que a tecnologia não entende sozinha o vocabulário interno da empresa: termos como “Home Appliance” e “HO”, usados para a mesma coisa, geravam respostas erradas até o agente ser treinado com um glossário, da mesma forma que se orienta um estagiário novo.
TI e área de negócio, parceria obrigatória
Sabrina contou que esperava simplesmente repassar suas planilhas prontas em Python para a TI transformar em dashboard automaticamente. Na prática, foram seis meses de trabalho conjunto, porque cada regra de negócio embutida nas planilhas precisava ser explicada e validada por quem entendia o processo, não apenas copiada.
Ferramenta disponível não é ferramenta usada
Mesmo com acesso liberado a 100% dos funcionários com conta Google, a adoção geral da IA generativa girava em torno de 20% pouco tempo depois da implementação, segundo Cíntia. Já entre os times de engenharia, vendas, marketing e financeiro, ela citou uma medição própria dos últimos três meses que mostra 50% de uso constante. Para Cíntia, o dado mostra que distribuir a ferramenta não basta: é preciso trabalhar cultura de uso, treinamento e capacidade de escrever bons comandos.


