BLOG

25/06/2026

Entenda por que a elite financeira global está apostando no Bitcoin

João Carelli, CEO da Formadores de Mercado, mostrou os números por trás do movimento.

Bancos centrais, fundos soberanos e as maiores gestoras de patrimônio do mundo têm um movimento em comum nos últimos anos: estão comprando Bitcoin. É esse comportamento da elite financeira global que João Carelli, CEO e cofundador da Formadores de Mercado, colocou no centro da palestra “A Nova Estratégia da Elite Global”, na ExpoGestão 2026.

Carelli é graduado em Administração, investidor profissional credenciado pela CVM e pós-graduado em Geopolítica, Dinâmica Global e Gestão de Risco. À frente da Formadores de Mercado, startup de educação e tecnologia de Jaraguá do Sul. Na apresentação, ele defendeu que entender o que grandes instituições e governos estão fazendo com o próprio caixa é mais revelador do que qualquer discurso público sobre risco do ativo. 

Quem está comprando

Segundo o palestrante, a BlackRock já tem 101 bilhões de dólares aplicados em Bitcoin, a Fidelity soma 44 bilhões, e a Grayscale, 33 bilhões. Carelli também citou reservas mantidas por governos: Estados Unidos, China e Reino Unido figuram entre os países com posição relevante no ativo. O CEO da BlackRock diz que o Bitcoin é proteção contra desdolarização cambial e pode valer 700 mil dólares por unidade, enquanto a Fidelity afirma que a maioria dos investidores deveria ter alocação na criptomoeda.

O palestrante ainda mencionou que bancos como o BTG Pactual — cujo controlador, André Esteves, foi descrito por ele como um dos caras mais geniais e bem relacionados do planeta — têm vendido produtos de renda fixa aos próprios clientes enquanto direcionam parte do balanço institucional para a criptomoeda. Carelli citou também estados americanos como Texas, Arizona, Missouri, Wyoming, Pensilvânia e Wisconsin, além de fundos de pensão, como exemplos de instituições que passaram a alocar parte de seus recursos em Bitcoin.

Por que a elite estaria fazendo essa aposta

Para Carelli, a lógica por trás desse movimento é que o Bitcoin tem oferta limitada a 21 milhões de unidades, enquanto a quantidade de dinheiro em circulação no mundo não tem limite. Segundo ele, quem administra grandes patrimônios sabe que ativos escassos se valorizam quando os bancos centrais aumentam a emissão de moeda.

O palestrante apresentou como evidência desse fluxo a velocidade de captação dos ETFs de Bitcoin lançados recentemente: o produto levou 341 dias para atrair 70 bilhões de dólares em investimentos, contra 1.691 dias que os ETFs de ouro precisaram para alcançar o mesmo volume. Carelli também citou que fundos de pensão globais somam hoje 60 trilhões de dólares em patrimônio sob gestão.

Segundo ele, em um cenário pessimista no qual esses fundos alocassem apenas 2% desse total em Bitcoin, o preço do ativo chegaria a 3 milhões de dólares por unidade; num cenário base, com alocação de 7%, o valor projetado seria de 13 milhões de dólares por Bitcoin — hoje cotado em torno de 78 mil dólares. 

O argumento histórico por trás da tese

Para sustentar por que a elite está migrando para ativos escassos, Carelli recuperou a decisão tomada pelo então presidente americano Richard Nixon em 15 de agosto de 1971, quando os Estados Unidos romperam a conversibilidade entre o dólar e o ouro, encerrando a paridade fixa de 35 dólares por onça-troy. A partir desse dia, toda vez que os Estados Unidos têm algum problema econômico, o governo imprime dinheiro para pagar as contas. Essa decisão explica o crescimento acelerado da dívida americana: os Estados Unidos levaram 110 anos para acumular 15 trilhões de dólares em dívida nacional, mas apenas seis anos — entre 2020 e 2026 — para que os juros sobre essa dívida adicionassem o mesmo valor. Hoje, a dívida do país soma 38,8 trilhões de dólares, equivalente a 124% do PIB americano, e cresce um trilhão de dólares a cada 90 dias. 

O ativo que mais performou nos últimos anos

Em termos de rentabilidade histórica, o palestrante apontou que em 2023 o Bitcoin valia 15 mil dólares e em 2025 atingiu 126 mil dólares, multiplicando o capital dos investidores por sete vezes. Embora o Bitcoin tenha sido o ativo de melhor desempenho anual na maior parte da última década, registrando quedas em anos de ciclo de baixa como 2014, 2018 e 2022, Carelli ressaltou que nos anos recentes de 2025 e 2026 o ouro acabou batendo a criptomoeda devido a uma correção mais complexa do ativo digital.

Medir patrimônio na moeda certa

Carelli encerrou a parte analítica da palestra com uma provocação sobre como medir riqueza, alertando que quem avalia o patrimônio em moedas fiduciárias que perdem valor ao longo do tempo tem a falsa sensação de enriquecimento. Numa simulação apresentada, uma pessoa com 400 mil dólares em 2023 teria o equivalente a 26,67 bitcoins. Se essa pessoa comprasse um imóvel e o vendesse hoje por 600 mil dólares, o valor atualizado seria dividido pelo preço atual de 78 mil dólares do Bitcoin, resultando em 7,69 unidades da criptomoeda e uma consequente perda de patrimônio real em ativos escassos. 

Não deixe de ler também:

Ativos ociosos: o capital que sua empresa já tem e não usa

25/06/2026

Ativos ociosos: o capital que sua empresa já tem e não usa

Por que empresas não quebram por dívida, mas por medo

25/06/2026

Por que empresas não quebram por dívida, mas por medo

BAIXE O NOVO APLICATIVO

Fique por dentro da ExpoGestão

App ExpoGestão