
Quando uma empresa aparece entre as mais inovadoras do país, é comum imaginar que o reconhecimento seja consequência de uma grande descoberta tecnológica ou de um produto revolucionário. Na prática, porém, os resultados costumam nascer muito antes: na forma como a inovação é administrada.
A inovação não é apenas um processo baseado na criatividade. Empresas que conseguem manter vantagem competitiva estruturam processos, definem prioridades, investem continuamente em pesquisa e criam mecanismos para transformar conhecimento em soluções de mercado.
Inovação exige estratégia, não improviso
Essa visão é reforçada por uma pesquisa global da McKinsey * com mais de mil executivos. O estudo concluiu que organizações com uma cultura de inovação consolidada conseguem extrair muito mais valor de seus investimentos em tecnologia e pesquisa do que seus concorrentes. Mais do que investir em inovação, essas empresas estruturam modelos de gestão capazes de transformar ideias em resultados, com processos claros, liderança engajada e uma cultura que incentiva a experimentação.
Outro aspecto observado nas organizações mais inovadoras é o fortalecimento das áreas técnicas. Engenharia, pesquisa e desenvolvimento deixam de atuar apenas como suporte à produção para assumir papel estratégico na geração de novos negócios, na redução de custos, na eficiência operacional e na sustentabilidade.
A Nidec Appliance, Commercial and Industrial Motors (ACIM), detentora da marca Embraco, por exemplo, mantém uma estrutura global composta por nove centros de pesquisa e desenvolvimento. No Brasil, reúne cerca de 250 engenheiros e 16 laboratórios dedicados ao desenvolvimento de tecnologias voltadas à eficiência energética, à sustentabilidade e à competitividade industrial. A empresa também investe entre 2% e 4% de sua receita líquida anual em inovação, demonstrando que inovação contínua depende de planejamento e investimentos permanentes.
Ecossistemas geram resultados consistentes
Outro fator que diferencia empresas de alta performance é a capacidade de inovar em rede. Universidades, institutos de pesquisa, startups, fornecedores e clientes passam a integrar o processo de desenvolvimento tecnológico. Essa colaboração amplia o acesso ao conhecimento, reduz o tempo de desenvolvimento e acelera a chegada de novas soluções ao mercado.
A manutenção de parcerias de longo prazo com instituições de ensino e pesquisa demonstra que a inovação dificilmente acontece de forma isolada. Ela prospera em ambientes que favorecem a troca de conhecimento e a experimentação. A Nidec atua com um ecossistema de inovação baseado na colaboração com universidades e institutos de pesquisa no Brasil e na Europa. As parcerias envolvem a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), a Montan Universität e a TU Graz, na Áustria. Entre elas, destaca-se a colaboração com a UFSC, mantida ininterruptamente há mais de 40 anos, o que reflete o compromisso de longo prazo da empresa com a pesquisa, o desenvolvimento tecnológico e a inovação.
A transformação digital e sustentabilidade como pilares da inovação
Embora a inovação seja frequentemente associada a novos produtos, muitas das maiores oportunidades estão dentro da empresa. A digitalização de processos internos permite eliminar atividades repetitivas, acelerar tomadas de decisão e melhorar a qualidade das informações utilizadas pela liderança.
Na Nidec, uma das iniciativas reconhecidas em premiações nacionais foi uma plataforma digital capaz de integrar informações de engenharia, vendas, custos e planejamento em um único ambiente. Processos que anteriormente demandavam dias passaram a ser executados em segundos, oferecendo maior agilidade para decisões relacionadas ao portfólio de produtos.
Outro aprendizado relevante é que sustentabilidade deixou de representar apenas conformidade ambiental. Projetos voltados à eficiência energética e à redução do consumo de recursos demonstram que inovação e sustentabilidade caminham cada vez mais juntas. O resultado é uma combinação de ganhos ambientais, redução de custos operacionais e fortalecimento da competitividade.
O que os gestores podem aprender
Independentemente do porte ou segmento da empresa, algumas práticas aparecem de forma recorrente nas organizações mais inovadoras:
- tratam inovação como estratégia corporativa e não como projeto isolado;
- mantêm investimentos contínuos em pesquisa e desenvolvimento;
- fortalecem equipes multidisciplinares e competências técnicas;
- estimulam a colaboração com universidades, parceiros e clientes;
- utilizam dados e tecnologia para acelerar decisões;
- incorporam sustentabilidade como parte da estratégia de crescimento.
Os reconhecimentos conquistados pela Nidec nos rankings do Valor Inovação e das Campeãs da Inovação da Revista Amanhã ilustram uma realidade observada em diversas organizações de alta performance: a inovação não acontece por acaso. Ela é resultado de uma gestão consistente, capaz de transformar conhecimento, tecnologia e pessoas em vantagem competitiva sustentável.


