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17/09/2026

LinkedIn começa a bloquear conteúdos terceirizados para a tecnologia

Durante muito tempo, produzir conteúdo já foi uma vantagem. Exigia tempo, repertório, domínio técnico e, muitas vezes, uma equipe capaz de transformar conhecimento em algo publicável.

Essa equação mudou.
Hoje, uma ideia pode virar um artigo, um post ou uma sequência de conteúdos em poucos minutos. A inteligência artificial ajuda a estruturar argumentos, revisar textos, encontrar melhores formulações e adaptar uma mesma ideia para diferentes formatos. A produção deixou de ser o principal obstáculo.

E quando produzir fica fácil, produzir mais deixa de significar, necessariamente, produzir melhor.
O movimento já começa a aparecer nas plataformas. Em 15 de setembro, o LinkedIn informou que suas medidas recentes haviam reduzido em 40% as visualizações de conteúdos classificados pela empresa como “Al slop” — publicações genéricas, repetitivas ou sem uma perspectiva própria. Mais de 1 milhão de usuários já haviam utilizado, desde o lançamento em agosto, o recurso criado para sinalizar esse tipo de conteúdo.

Mas o tamanho desse movimento ajuda a entender por que a discussão ganhou relevância. Uma análise de quase 57 mil publicações no LinkedIn, realizada com o apoio da Pangram Labs e citada pelo The Wall Street Journal, identificou o uso integral de IA em 41% das postagens longas e em 30% dos comentários analisados entre abril e junho. Outra análise, da Originality.ai, avaliou 5 mil posts públicos em julho e estimou que quase 81% provavelmente utilizavam IA em nível acima do considerado “moderado”. Os estudos, porém, usam critérios próprios de detecção e foram contestados pelo próprio LinkedIn, que diferencia o uso de IA como ferramenta de apoio do conteúdo genérico que classifica como “AI slop”.


O que a tecnologia não consegue fabricar
O LinkedIn não está dizendo que usar IA para produzir conteúdo é um problema. Pelo contrário. A própria plataforma afirma que ferramentas de IA podem ajudar a refinar a linguagem, revisar textos e torná-los mais concisos. O que perde espaço é o conteúdo que parece pronto, mas não acrescenta nada que alguém realmente tenha vivido, pensado ou aprendido.

Essa distinção muda a conversa para empresas e executivos. Se qualquer profissional pode transformar uma informação em um texto bem escrito, o valor passa a estar menos na capacidade de publicar e mais na capacidade de acrescentar alguma coisa ao que já foi dito.

Uma experiência concreta. Uma leitura diferente. Um erro que ensinou alguma coisa. Um conhecimento acumulado em anos de mercado. Uma opinião que não poderia ter sido escrita por qualquer outra pessoa.

Isso é difícil de automatizar porque não está apenas na informação. Está no repertório que permite interpretá-la.

Talvez esse seja um dos efeitos menos discutidos da inteligência artificial sobre o marketing B2B: quanto mais fácil fica produzir conteúdo, mais caro se torna produzir algo realmente relevante.

A questão, portanto, não é se as empresas devem publicar mais. É se têm algo próprio para dizer.

Porque em um ambiente em que quase todos podem parecer especialistas por alguns minutos, autoridade não será construída pela quantidade de conteúdo produzido, mas pela qualidade daquilo que só aquela pessoa ou aquela empresa poderia dizer.

Fontes: LinkedIn e Gazeta Mercantil

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