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10/07/2026

Medir resultado é crucial para transformar boa intenção em responsabilidade social real

Rafaela Peixer Rossi usou o programa Geração BMW para mostrar como construir estratégia contínua de impacto social.

Empresas que tratam responsabilidade social corporativa (RSC) como ação isolada perdem a chance de gerar impacto de longo prazo, afirmou Rafaela Peixer Rossi, gerente de carroceria da BMW Group Brasil e integrante do Comitê de Responsabilidade Social da montadora.

Filantropia não é RSC

Rafaela separou os dois conceitos que costumam se confundir. Filantropia é ação pontual e isolada, como uma doação para uma enchente ou uma campanha de Natal: ajuda, mas não pressupõe continuidade. RSC exige compromisso contínuo, conectado à estratégia do negócio, e gera transformação na comunidade ao longo do tempo. Para ela, as duas práticas são válidas e podem, inclusive, conviver dentro de uma mesma empresa, mas cumprem papéis diferentes e não devem ser tratadas como sinônimos.

Para estruturar programas de RSC, Rafaela recorreu ao modelo em pirâmide desenvolvido pelo pesquisador norte-americano Archie B. Carroll. Na base está a responsabilidade econômica: a empresa precisa gerar lucro e honrar compromissos com funcionários e fornecedores antes de qualquer coisa. Em seguida vem a responsabilidade legal, de cumprir leis e normas. O terceiro degrau é a responsabilidade ética, que envolve agir com integridade mesmo quando não existe uma lei específica exigindo isso. No topo está a responsabilidade filantrópica, de atuar voluntariamente em prol da sociedade. Pular etapas, segundo Rafaela, compromete a sustentabilidade do programa: uma empresa que não é saudável financeiramente, por exemplo, dificilmente sustenta uma agenda social consistente no longo prazo.

Ouvir a comunidade e aceitar mudar

O Geração BMW nasceu em 2014, durante a construção da fábrica em Araquari, como projeto de contraturno escolar voltado a crianças matriculadas na rede pública. Depois da pandemia, a equipe percebeu que aquele formato não atendia mais a necessidade da comunidade e reformulou o programa do zero, revisitando propósito, público e objetivos. Desde 2024, o Geração BMW forma jovens de 17 a 19 anos, moradores da região, para o primeiro emprego, não necessariamente dentro da montadora. Rafaela citou essa reformulação como prova de que um programa de RSC precisa ser revisto periodicamente, e não repetido por inércia só porque funcionou uma vez.

Vulnerabilidade social é critério de entrada no programa, e a formação técnica caminha lado a lado com apoio socioemocional, já que muitos jovens chegam sem orientação sobre a própria trajetória profissional. Colaboradores da fábrica participam como voluntários, contando suas próprias histórias de carreira para os alunos, incluindo os que começaram como jovens aprendizes e hoje ocupam cargos de liderança.

Rafaela defendeu acompanhar indicadores desde o início do projeto. O programa já formou três turmas, soma cerca de 90 jovens atendidos e mantém autoavaliação de engajamento no começo e no fim do curso. Parte considerável dos formados foi efetivada pela própria BMW ou por parceiros, resultado que a gestora atribui à preparação prévia para o mercado de trabalho.

Para encerrar, Rafaela reforçou a mensagem que guia sua atuação no comitê: RSC não precisa ser cara nem complexa, e pode ser aplicada por empresas de qualquer porte, desde que exista propósito, diagnóstico da comunidade e disposição para medir e ajustar o caminho ao longo do tempo.

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