
O conselho foi dado pelo ex-tenista Fernando Meligeni, durante bate-papo com o jornalista André Kfouri, no segundo dia da Expogestão 2026. O encontro foi uma novidade no palco principal desta edição: o Expogestão Talks. Como aplicar a inspiração e a mentalidade campeã de um atleta de alto rendimento no dia a dia das organizações empresariais foi o tema do papo, em que Meligeni relembrou momentos marcantes da carreira. Fernando Meligeni, acentuou André Kfouri, “é uma dessas pessoas que se tornam importantes, por estabelecer a motivação como ferramenta para encarar os desafios do dia-a-dia. Mesmo desempenhando individualmente em quadra, ele fez parte de equipes afinadas, mostrando sempre a capacidade de estabelecer e executar objetivos”.
Meligeni mostrou, ao longo da carreira, segundo Kfouri, que “é possível estabelecer uma ponte entre o esporte de alto rendimento e o mundo corporativo”. O próprio ex-tenista, hoje empresário, confirmou: “Eu tinha um time, que funcionava como uma empresa, com diversos departamentos, como técnico, tático, físico, mental, médico… Sempre procurei executar na vida esportiva uma lição dada por meu pai: você precisa investir no time”.
Convivendo com os melhores tenistas do mundo, Fernando Meligeni aprendeu que ser o número 1 é momentâneo, difícil é se manter entre os primeiros: “Precisa colocar coisas novas no seu jogo, todo dia, se desafiar o tempo todo, mudar fundamentos”. Como exemplo, Meligeni citou o histórico jogo contra o então primeiro do mundo, o norte-americano Pete Sampras, em 1999, em Roma. “Logo no início daquele ano, num torneio em Estoril, meu técnico Ricardo Acioly, o Pardal, me desafiou a melhorar o jogo de esquerda, o back hand. Mudei e venci, mostrando a importância de se desafiar o tempo todo.”
Depois, em Roma, logo na segunda rodada Meligeni via Sampras pela frente. “Na noite anterior, admiti ao treinador que não via possibilidade de vencer o melhor tenista do mundo. Pardal, então, me convenceu a mudar de tática, a sair da zona de conforto e ter coragem de mudar.” O resultado ficou na história: Meligeni 2 x 0 em uma hora e seis minutos.
A mesma situação se repetiu alguns meses depois, em Roland Garros, no duelo contra o espanhol Félix Mantilla. Em cinco confrontos anteriores, cinco derrotas de Meligeni. Já antevendo novo revés, na véspera novamente foi o treinador que provocou a mudança. No jogo, Meligeni saiu do seu conhecido estilo de fundo de quadra, foi agressivo e venceu.
Lições da adolescência
Aos 15 anos, ainda vivendo na Argentina onde nasceu, Fernando participou de uma “peneira” num centro de excelência. O desafio final era dar dez saques, sem errar nenhum. Entre trinta meninos e meninas, Meligeni foi o último a acertar os dez saques. “O treinador – relembra – chamou todos e perguntou quem foi o primeiro a acertar. Ao garoto que se apresentou, ele concluiu: ‘Não foi você o vencedor, mas o Fernando, que não desistiu até acertar’. Aquele episódio foi um divisor de águas na minha vida.” Para concluir, Fernando Meligeni deixou uma lição: “A vida, seja no esporte seja nos negócios, tem mais problemas do que soluções. É difícil aceitar que errar é normal, que perder ensina a ganhar. Importante é não desistir dos sonhos”.


