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20/05/2026

Zeina Latif vê cenário econômico moderado e descarta crise extrema no Brasil

Em palestra na ExpoGestão 2026, economista analisou os efeitos do cenário internacional, o impasse fiscal brasileiro e os desafios de produtividade e educação no país

A economista Zeina Latif, sócia da Gibraltar Consulting, afirmou durante palestra na ExpoGestão 2026 que o Brasil deve enfrentar um cenário econômico moderado nos próximos anos, sem risco iminente de crise severa, mas ainda limitado por entraves estruturais que dificultam um crescimento mais robusto. Segundo Zeina, o país não vive um ambiente de recessão iminente ou descontrole inflacionário, apesar das incertezas no cenário internacional e das dificuldades fiscais internas. “Falamos de um cenário modesto, mas não de uma economia à beira de uma crise ou de um quadro extremo”, afirmou.

Comércio global favorece exportações brasileiras

Ao analisar o ambiente macroeconômico internacional, a economista destacou que o atual cenário geopolítico difere do choque observado durante a pandemia e no início da guerra entre Rússia e Ucrânia. Segundo ela, a inflação global está mais controlada, especialmente pela desaceleração dos preços na China, o que ajuda a reduzir pressões externas. Zeina também observou que o comércio internacional segue resiliente em um contexto de reorganização das cadeias globais de produção e diversificação de fornecedores. Nesse cenário, o Brasil aparece em posição relativamente favorável. “O volume exportado pelo Brasil vem se descolando nos últimos anos. Hoje, o petróleo é nosso principal produto de exportação e, diante de conflitos externos, o país assume uma posição privilegiada”, explicou.

Mesmo assim, ela ponderou que o ambiente exige cautela por parte do Banco Central na condução da política monetária e impõe desafios ao agronegócio, especialmente diante da elevação dos custos de fertilizantes, compressão de margens e aumento do endividamento no setor.

Fiscal pressiona juros e câmbio

Ao abordar a volatilidade cambial, Zeina afirmou que os movimentos recentes do dólar frente ao real refletem, principalmente, a percepção de risco fiscal doméstico. A economista destacou a rigidez do orçamento público brasileiro, no qual cerca de 95% das despesas são obrigatórias, o que limita a capacidade de ajuste das contas públicas no curto prazo. “Não existe simplesmente ‘cortar despesa’ no Brasil. São necessárias reformas estruturais para conter o crescimento dos gastos, como ocorreu na reforma da Previdência”, afirmou.

Segundo ela, houve expansão relevante das despesas públicas entre 2023 e 2025, impulsionada por medidas de impacto fiscal, como a política de reajuste do salário mínimo. Zeina avaliou ainda que um ajuste fiscal rápido, nos moldes do realizado pela Argentina, é inviável no Brasil devido às amarras constitucionais e à complexidade política das reformas. “Precisamos abraçar a agenda de ajuste fiscal para voltar a ter juros de um dígito e menos volatilidade no câmbio, mas essa é uma agenda difícil para qualquer presidente”, disse.

Baixa produtividade limita crescimento do país

Para a economista, o crescimento recente da atividade econômica brasileira tem sido sustentado pela resiliência do mercado de trabalho e pelos estímulos à economia, mas o principal obstáculo para uma expansão mais consistente continua sendo a baixa produtividade.

Zeina apresentou dados indicando que a produtividade do trabalhador brasileiro equivale a cerca de 25% da observada nos Estados Unidos. “Temos empresas pouco produtivas. O ambiente de negócios difícil faz com que o empresário invista menos em gestão, tecnologia e qualificação”, afirmou.

Ao encerrar a palestra, Zeina destacou que o Brasil reúne vantagens competitivas relevantes, como energia limpa, disponibilidade de minerais críticos e distância dos principais conflitos geopolíticos. Segundo ela, transformar esse potencial em crescimento sustentável dependerá da capacidade do país de avançar em segurança jurídica, infraestrutura, educação e atração de investimentos privados. “O Brasil tem vantagens competitivas gigantescas que voltaram a ser valorizadas no mundo. O que não sabemos é se vamos conseguir aproveitar essas oportunidades”, concluiu.

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