
O que faz um profissional ser escolhido? Ter domínio técnico, experiência, formação ou saber se comunicar? E quanto pesa, em uma entrevista, a capacidade de ouvir, trabalhar em equipe e demonstrar maturidade diante de um desafio?
Em um mercado em transformação, essas perguntas ganham força. Afinal, se conhecimentos técnicos podem ser atualizados por meio de cursos e treinamentos, quais competências realmente diferenciam um candidato? Uma pesquisa nacional mostra que, na percepção de profissionais de Recursos Humanos, a resposta está cada vez mais relacionada ao comportamento.
A Pesquisa Nacional Heach 2026 – O Brasil Contrata por Competência ou por Comportamento?, realizada pela Heach Recursos Humanos, ouviu 4.925 participantes em todo o país, entre candidatos, profissionais de RH e empresários com poder de contratação. Entre os profissionais de RH entrevistados, apenas 13% apontam a falta de conhecimento técnico como principal motivo para reprovar um candidato.
Os fatores comportamentais aparecem à frente. A comunicação inadequada é citada por 27% dos profissionais de RH, seguida pela postura durante a entrevista (22%), falta de aderência à cultura da empresa (18%) e baixa inteligência emocional (14%).
Os dados também aparecem na percepção dos empresários. Para 42% deles, o perfil comportamental é hoje o principal fator de decisão na contratação, superando experiência profissional (24%), competência técnica (18%) e formação acadêmica (4%).
Para Elcio Paulo Teixeira, CEO da Heach Recursos Humanos, os resultados indicam uma mudança na forma de avaliar talentos. O conhecimento técnico continua importante, mas já não é suficiente para garantir a contratação. “Muitos candidatos chegam preparados tecnicamente, mas enfrentam dificuldades para demonstrar habilidades relacionadas à comunicação, relacionamento interpessoal, adaptabilidade ou inteligência emocional”, afirma.
A explicação está também na possibilidade de desenvolvimento. Processos, sistemas e conhecimentos específicos podem ser ensinados depois da contratação. Já postura profissional, capacidade de escuta, inteligência emocional e relacionamento interpessoal demandam um desenvolvimento mais longo.
O cenário traz um alerta para quem busca recolocação ou crescimento profissional: investir apenas em cursos e certificações pode não ser suficiente. Saber se comunicar, ouvir, trabalhar em equipe e lidar com desafios também passou a fazer parte do conjunto de competências que pode abrir — ou fechar — portas no mercado de trabalho.
Fonte: RHpravocê


