
Ver o presente com projeção do futuro. Essa é, resumidamente, uma definição de “foresight”, tema da palestra de Gustavo Donato, vice-presidente e professor da Fundação Dom Cabral, conselheiro e executivo com especialidade em tecnologia e foresight estratégico. Dentro do tema Estratégia, Futuro, Inovação, Tecnologia e Tendências, o professor fez a palestra Foresight estratégico: da reação à antecipação e competitividade, no primeiro dia da Expogestão 2026.
Dentro deste contexto de projeção de tendências, o palestrante destacou aspectos relevantes, como velocidade das mudanças, transformações puxadas pela tecnologia e tensões globais. “A nossa capacidade de vislumbrar contextos futuros é um diferencial mais que relevante, é fundamental. Precisamos orquestrar a evolução, deixando de só reagir a rupturas.”
Para chegar a essa evolução, há pressões a serem diagnosticadas e enfrentadas. As de curto prazo, como o excesso de empresas em situação difícil ou mesmo em recuperação judicial, combinação crítica de juros elevados com pouca oferta de crédito e inadimplência. “Há – complementa o palestrante – um forte acirramento de dados de IA e disjunções tecnológicas no centro da equação geopolítica global. Para se ter uma ideia, 95 por cento dos projetos de IA não dão retorno.”
Entre as pressões de médio a longo prazo, dois números preocupantes: 86 por cento dos negócios serão reconfigurados até 2030; 170 milhões de empregos serão criados, enquanto 90 milhões serão extintos. Um exemplo é o carro “autoentregável” da Tesla. O cliente encomendou o carro, escolheu o modelo, o veículo foi fabricado e saiu sozinho da fábrica, rodou trinta quilômetros, chegou ao endereço do cliente e enviou um whats: “Cheguei”. “Muitas pessoas, na fábrica, trabalharam para construir o carro. Mas quantas deixaram de trabalhar na transportadora, na concessionária?”
Os tipos de problemas mudam
As mudanças nos tipos de problemas levam a alterações também no campo do brilhantismo: “O novo profissional precisa continuar estudando, pois a velocidade exige agilidade. A tecnologia está virando comoditie”.
Entre pressões, macrotendências, megatendências e sinais, planejar “os futuros” é um exercício técnico, intelectual, uma competência crítica para gerir ativos e mitigar riscos em contexto ambidestro, que cuide do resultado do presente, pavimentando o protagonismo futuro.
As lideranças devem saber antecipar cenários, explorar novos mercados e tomar decisões mais assertivas. “A incerteza é uma constante, e aí entra o foresight estratégico, baseado no presente, com antecipação de tendências e rupturas.
Gustavo Donato conclui: “Tenho zero medo da Inteligência Artificial, mas fico muito preocupado com a falta de inteligência natural”.


